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Vitoria no passado

O Vitória no Passado  

Um grande Vitoriano, Pamacasa o seu nickname tem vindo a deixar as suas diversas memórias sobre o Vitória escritas no fórum não oficial, como são belas memórias do clube para se ir recordando fica aqui um apanhado das mesmas, a não perder.

 

 Vamos lá então falar das origens do VITÓRIA...

Escreveu-se algures que a primeira bola de futebol a sério que entrou no nosso país chegou cá pelas mãos de 2 irmãos de família Pinto Basto em 1886, quando regressaram de Inglaterra onde estudavam.

Calcula-se que por volta de 1905 o futebol começa a ser jogado em Setúbal.
Desde os mais pobres, que eram bastantes, como os mais remediados, que jogavam muitas vezes descalços, em todo o sítio com um olho na sua bola de trapos e outro no guarda lá da zona... como os mais abastados, estes com a sua bola de coiro, lá mais para os lados do Bonfim...
A "Fina Flor" de Setúbal assentava principalmente nos Industrais Conserveiros, Director Alfandega, Capitão de Porto, Oficiais do Exército, médicos e empresários em geral.
O Desporto em geral e o futebol em particular torna-se por isso também uma moda na época, daí a sua importância.

Em plena ressaca Política Pós Revolução da República começam a surgir em força vários clubes, que mais tarde se verifica, vêm, uns a acabar outros a juntar-se e dar origem ao Vitória Futebol Clube.

Uns de cariz mais popular, outros mais de elite, se é que assim se pode chamar. Vamos pois dar a conhecer alguns deles, sob pena de poder haver algum dado menos correcto:
- Ginásio Clube
- Setubalense Foot-Ball Clube
- União Foot-Ball Avenida
- Sport Clube Académico (ou Grupo Académico)
- Setubalense Sporting Clube
- Bonfim Foot-Ball Clube

Em especial os 2 primeiros tinham menos expressão vindo rapidamente a terminar.
O terminar significava que os seus "fundadores" passaram rapidamente a integrar outros dos existêntes.
O Grupo Académico também acabou por ser extinto.
Manteve-se o Setubalense Sporting Clube, entre 1910 e 1911, que teve grande importância na criação do VFC, uma vez que o nosso equipamento verde/branco é herdado deste clube.
O Bonfim Foot-Ball Clube devido a desentendimentos e discordâncias internas acaba por dar origem ao Sport Vitória.
Em 5 Maio 1911 realiza-se a 1ª. Assembleia Geral deste clube onde é proposto que se passe a chamar de Vitória Foot-Ball Clube.
Proposta aceite, o equipamento era branco, com algibeira, gola e julgo que meias vermelhas.
O Setubalense S.C. estava a perder o fulgor e começou a perder aderentes para o VFC. Foi pensado e decidido fazer a fusão dos dois, mantendo a designação do maior VITÓRIA FOOT-BALL CLUBE e adoptar o equipamento (mais bonito do Mundo) listado de verde/branco do mais pequeno.


 Pois bem e quanto a recintos de jogo como seria?

Parece que o primeiro Campo de Jogos foi improvisado ali nos terrenos onde se situa hoje o Parque do Bonfim.
Era um espaço amplo, com árvores à volta, atavam-se umas cordas em seu redor , as balizas, bem não sei, mas provavelmente eram de pedras ou improvisavam-se com umas madeiras, talvez, à moda dos miúdos das aldeias dos anos 60.
Neste espaço denominado como Campo Público do Bonfim realizou-se o
1º. jogo do VFC, em 15 Maio 1911, contra o Foot-Ball Clube Nacional, com uma derrota por 0-7.
O 1º. jogo com o equipamento actual foi contra o Lisboa Foot-Ball Clube
no mesmo local com o resultado final de 1-0.

Em 1911 o VFC filiou-se na AFLisboa em 3as. categorias (Setúbal só em 22/12/1926 passou a ter Distrito, dando então origem à AFS)
O 1º realizado no Campo da Quinta dos Arcos, ou Campo Atlético dos Arcos, ou simplesmente Campo dos Arcos foi contra uma equipa do SLBenfica em 15 Setembro 1913.
No entanto a sua inauguração Oficial ocorreu em 13 Nov 1921, contra o Casa Pia, 1-1 foi o resultado.
O Campo dos Arcos faz parte muito importante na História do Vitória, tendo encerrado as portas em 18/07/1962, da melhor maneira, uma Vitória sobre o Sp. Braga 3-1 e o regresso durante muitos e bons anos à 1ª. Divisão.

Na época a Qta dos Arcos era um terreno semeado, que o Vitória foi alugando pagando todos os meses a elevada quantia de 13$75.
Os sócios arranjaram o piso para se poder ali jogar, e construiram a bancada em madeira.
Mariano Coelho foi um dos grandes impulsionadores deste parque de jogos, assim contratou um dos melhores treinadores em exercício nos anos 20, Arthur John.
No Campo dos Arcos jogava-se além do futebol, o basquebol, vólei, ténis, hóquei em campo, praticava-se ginástica, faziam-se bailes para angariar as receitas e no verão havia cinema ao ar livre.

Quanto ao futebol, pois ele não era profissionalizado, lembro-me de histórias de jogadores antigos, pelos menos 2 trabalhavam nos talhos no Mercado do Livramento, faziam o aquecimento, ali mesmo no Mercado, e quando havia jogo nos Sábados à tarde, pediam ao Patrão para sair um pouco mais cedo, e 15 minutos antes do jogo saiam a correr do Mercado em direcção ao Campo.
Não havia iluminação, os treinos eram muitas vezes de manhã antes do trabalho. Assim que começava a nascer o dia o pessoal treinava.
Água quente, mas o que era isso? Um duche de água fria e já gozas!

Mariano Augusto Coelho acaba por comprar os terrenos do Campo dos Arcos.
Vai entretanto a Vila Fresca Azeitão a casa do Sr. Belo, proprietário da Transportadora com o mesmo nome, propor-lhe a venda daquele terreno, para este ali instalar a futura Estação Rodoviária, o que não é aceite por segundo Belo ser muito longe do centro Ferroviário do Quebedo.
O VFC através de M. Coelho parte então para o pedido de loteamento e posterior venda para prédios. A partir daqui saldam-se todas as dívidas e começa-se a pensar em mudança para uma "casa" maior e com melhores condições, pensa-se nos terrenos do Bonfim, que eram pertença do antigo "Grémio das Conservas", cuja entidade era Presidida por Mário Ledo, antigo jogador, e Presidente do VFC, que segundo consta depois de várias diligencias conseguiu que fosse oferecido ao VFC.

Voltando atrás, aos jogos dos Arcos, só para terminar e contar duas histórias contadas pelos velhos adqueles tempos:
- O jogo era na base do pontapé para a frente, mas havia mais emoção...
aleijavam-se mais, mas pareciam que eram feitos de ferro... davam uns aos outros porradas de amor...
- Havia quem "galgasse" o muro dos Arcos por debaixo do olhar da guarda a cavalo que circundava o parque de jogos.
O muro era alto, mas havia quem fizesse do muro degrau e com uma impulsão e agilidade de gato saltasse lá para dentro. Depois era correr , correr bem para o meio da maralha.

Oportunamente talzez venha a falar do Bonfim ou do Palácio Salema, por exemplo...


Pois bem, apetece-me agora escrever a propósito do Estádio do Bonfim.
Fui à procura de elementos e aqui está um resumo.

O Estádio foi projectado pelo arquitecto Cândido Palma.
Para que a sua construção fosse realidade muito contribuiu a acção de várias entidades e pessoas.
Desde o Presidente da CMS da época, Major Magalhães Mexia, a Mário Ledo, através da cedencia dos terrenos do Bonfim, pertença do Grémio dos Industriais Conserveiros, das Comissões para angariação de Fundos, desde bailes, festas, vendas de rifas...
Pela baixa da cidade parece que se viam mealheiros espalhados por todo o Comércio, Potes-Mealheiros no Mercado, na Pr Bocage, L. Misericordia, etc...
Foram feitas as terraplanagens, seguiu-se o transporte de jorra principalmente oriunda da antiga U.E.P. da Cachofarra (ainda lá está o Edifício), em especial durante todas as manhas de Domingo (nesses tempos quase toda minha gente trabalhava ao Sábado todo o dia), desde o nascer do dia até cerca das 13 horas. Era ver camionetas, carroças, bicicletas a pedal com pequenos atrelados carregados (vale a pena ver as fotos) também com pedra, areia, etc...
Já nessa época muitos Setubalenses trabalhavam em Lisboa, e também esse conseguiam angariar "Pró Futuro Estádio do Vitória".
Do estrangeiro chegavam também alguns fundos, através dos emigrantes Setubalenses espalhados por todo o Mundo.
A Sapec ajudou, a Secil também, os responsáveis e toda uma cidade unida pelo seu Vitória.
Mário Ledo liderou todo o processo desde a aquisição dos terrenos, passando pelas terraplanagens, drenagens e arrelvamento. Seguiram-se as bancadas, feitas por fases.
Aquando da inauguração o Estádio era sòmente composto pela bancada coberta, pelas laterais adjacentes e pelos peões (foi sendo fechado nos anos seguintes).
O que é certo é que o sonho haveria de tornar-se realidade, permitindo a sua inauguração no Domingo de 16/09/1962, sob o Comando do Presidente da República desse tempo, que fez a distinção ao Clube com a medalha dos Bons Serviços ao Desporto.
A festa de inauguração prolongou-se desde manhã até à noite.
Teve um desfile de cerca de 1400 atletas de diversos clubes convidados.
O estandarte do Vitória estava bem seguro pelas mãos de um dos mais carismáticos futebolistas da história do Vitória, João dos Santos.
O ponto alto foi o jogo com a Académica, que terminou com o resultado de 0-1.
A marcar o acontecimento este clube fez a entrega ao VFC de um Troféu através do seu Capitão, Mário Wilson, ao do Vitória, o meu saudoso Emídio Graça.

Quanto à inauguração da Iluminação, pois bem ela foi adjudicada à Philips Portuguesa em Junho de 1969, depois de ser constituida também uma Comissão e de se terem feito grandes esforços, através da Venda de Títulos e Quotas Suplementares pelos Sócios e simpatizantes.
Foi decidido que era composta por 4 postes de betão, com cerca de 46 metros de altura e composta por um total de 96 Projectores (Mercurio/Halogenio).
Era nesse tempo a melhor do País e uma das melhores da Europa.
Ouvi falar que custou 250 contos, agora não sei se este valor a ser verdade, não seria apenas o custo dos 96 projectores(??!)

A data da inauguração foi no dia 22 de Agosto (ou de Setembro) de 1970.
O que tenho a certeza é que foi contra os espanhóis do Sp. Gijon. Eu estava lá, na Superior Sul, com os meus atentos 9 anos, na companhia do meu pai, que era, e é, apenas simpatizante do Vitória.
Lembra-me do Estádio estar bem composto de público e de ver muita gente com velas acesas.
O resultado pensava eu que tinha sido 3-1, mas os registos que obtive dizem que foi 1-1.


 

Vou falar de uma história que ouvi, de alguém, passada ainda no Campo dos Arcos, num jogo em que o Vitória precisava ganhar para não descer à 2ª.
Bem, o Vitória também nesse dia, não conseguia rematar à baliza (tal como hoje acontece). O Campo estava cheio e atrás da baliza adversária, salvo erro da Académica, o pessoal desesperava ao ponto de pedir ao GR para deixar entrar um golo.  Às tantas este já enervado volta-se para trás e diz:
- Mas como, se voces não fazem chuto à baliza?
O jogo continua e já perto do fim o Vitória lá faz um tímido remate de fora da área. A bola, dizem vai à figura, o GR voa pra um dos cantos e está feito golo da manutenção.
No final do jogo, invasão de campo, os jogadores são agraciados em especial o tal GR que não me lembro o nome. Depois provavelmente bebedeira até às tantas entre jogadores e adeptos.

Outra história, esta passada, já nos finais dos anos 70.
Nesse tempo havia o Campeonato de Reservas, que servia para rodar os jogadores menos utilizados. Jogavam normalmente os mais jovens e os mais velhos.
Era jogado à noite e asistência era composta na sua maioria por adolescentes que ficavam na bancada dos cativos.
Num certo jogo o pessoal resolveu gozar com os velhos, muitos deles já apresentavam condições físicas muito deficientes, como o Jota por exemplo que tinha uma barriga que metia medo. Vai daí este foi o principal alvo, mas também salvo erro o Fernando Tomé e o Mário Narciso (aquele que hoje é cobrador).
O Narciso, que sempre foi um irreverente, pediu para sair ao intervalo, parece que com o Tomé, tomaram o seu duche e apareceram para tirar satisfações da malta que começou a dispersar.
O Narciso dirigiu-se ao Fernando Cruz, na época Juvenil, e perguntou-lhe:
- Olha lá miudo, quem eram os brincalhões?
O Fernando respondeu qualquer coisa como:
- Eram aí de trás...
O Narciso começa a galgar bancadas até que consegue cercar um, mesmo por baixo camarote. Puxa a culatra atrás e quando se pensava que era uma direita certeira eis que acerta em cheio na parede de betão, enquanto isso o rapaz fugia a sete pés por ali abaixo.
O Narciso foi para a enfermaria e jogou muito tempo com a mão ligada.

Dos treinadores, eu era muito miudo, mas lembro-me muito bem do Fernando Vaz, uma simpatia para a criançada.
Mas no aspecto desportivo, o melhor, muito embora fosse um grande manhoso era o Pedroto.
Tenho lido e ouvido na rádio muitas histórias contadas pelo Fernando Tomé a seu respeito.
Não vou aqui reproduzir nenhuma, vou só dizer que jogador que entrava sob o seu comando a substituir algum colega, em 80% dos casos fazia a reviravolta no resultado.
O Pedroto substituiu Fernando Vaz no final da década de 60 e pelo que se falava era muito bem pago para as posses do Vitória.
Pois vejamos, ele era treinador principal, treinador adjunto, treinador de guarda redes, preparador físico, psicólogo, olheiro, e ainda transportava o saco das bolas, há é verdade, e ainda era o Seleccionador Nacional em part time. Deixava o clube por uns dias e passava para a Selecção, que às vezes para juntar o útil ao agradável, treinava no Bonfim precisamente com o Vitória.


 O Campo dos Arcos já não faz parte das minhas memórias.
Para isso ainda há por aí muitos mais velhos que eu que o recordam.

No entanto, quando alguém veio dizer que os Arcos foram "chorados" aquando da sua substituição pelo Bonfim, é evidente que é a mais uma estúpida e mal intencionada mentira.
Mas quem é que de seu perfeito juízo pode chorar uma coisa que já não nos serve por uma outra que foi construida por toda uma cidade e que ficou instalada pertinho da primeira?!

Se reportarmos a outros clubes da dimensão do Vitória, vemos que nos anos 60 e 70, o Boavista jogava no antigo Bessa, que era um pantanal, no Inverno era mais lama que relva, as bancadas eram tipo clube Inglês da 3ª. divisão dos anos 60, com umas irritantes colunas que sustentavam o telheiro.
O Sp. Braga jogava no municipal de Braga, mais tarde cedido ao clube o Estádio 1º. Maio.
O Guimarães jogava no Municipal, um Estádio velhinho, que acabou por passar para as mãos do clube há medida que ia sendo modernizado e ia sendo construido ali ao lado um moderno Centro Desportivo.
Nestes três exemplos pode-se verificar que os últimos dois Estádios passaram definitivamente para a posse dos respectivos clubes depois de terem sido Municipais.

No nosso Vitória caso o projecto Vale da Rosa vá avante, irá passar-se o contrário, isto é, aquilo que os nossos antepassados construiram, foi destruido pelos seus "herdeiros" até que ficaram só com o nome pomposo de Vitória Futebol Clube, mas sem Património.

O Palácio Salema que nos primordios foi ocupado pelo Victória F. C. e pelo Ginásio Setubalense, até este último ter sido extinto, passou a ser local de bailaricos e festas, casa administrativa, de convívio e lazer e ainda de competição de algumas modalidades do nosso clube em pleno centro da cidade.
Maia tarde a tal ou umas das tais Direcções Embarassed entendeu não mover uma palha no sentido de comprar a favor do Vitória, a sua antiga Sede que estave alugada desde sempre.
Dei comigo a pensar, não haveria segunda intenção em muitas decisões que se tomaram ou se calhar que não se tomaram?
Será que a ideia não seria ir afastando o Vitória do coração da cidade?...
a começar pela Sede e a terminar no Estádio?... (não sei não Confused )


 

O Vitória Foot-Ball Clube foi Campeão de Lisboa (Campeonato organizado pela Associação de Futebol de Lisboa, e onde começou por competir a nível nacional) nas épocas de 1923-24 e 1926-27.

Nesses tempos, tal como hoje, a Imprensa escrita da época dá realce aos clubes de maior nomeada de Lisboa, mesmo tendo sido o Vitória o Campeão.

O Vitória esteve em Espanha em Setembro de 1924, a realizar alguns particulares, em Barcelona e Saragoça, que lhes rendeu largos elogios da Imprensa Espanhola, ao contrário da Portuguesa, com realce para um jornal desportivo a época "O Sport de Lisboa" que sempre aproveitava para denegrir o VFC.

Os Espanhóis do "El Dia Gráfico" escreviam assim:
"O primeiro encontro combinado pelo Club Europa, com o Campeão de Lisboa, pode considerar-se o match da máxima correcção e amizade. A linha dianteira do Vitória inquietou seriamente a meta do Europa, vendo-se a nossa defesa quase impotente para se opor aos seus impulsos.
Consequencia disso foram os 2 primeiros golos do Vitória, acolhidos com calorosos aplausos pela sua execução. O asa esquerda, Casaca, com o capitão de eqipa João dos santos, foram o ponto mais temível do ataque e a eles se devem os 2 golos..."

O "Vanguardia" de Barcelona:
"não goza o futebol lusitano de grande fama no conceito desportivo europeu, antes é fraco o conceito em que é tido, contudo, é justo considerar que este team do Vitória é talvez a equipa lusitana que nos tem visitado, que acusa maior destreza no domínio da bola, uma mior combinação entre os seus jogadores e rapidez nos pontapés ao golo.
Os melhores são João dos santos e Casaca que formam uma perigosa ala esquerda. Também Cambalacho muito acertado, e Augusto e Martins entendendo-se muito bem.
Resumindo o Vitória é uma boa equipa, muito melhor do que o pouco renome do futebol lusitano deixaria antever."

O "El Mundo Desportivo":
"Decididamente o futebol lusitano é estimável sem ser extraordinário.
Porém o Vitória apresenta um considerável progresso na forma de jogar, sobretudo na linha de ataque. Como já notávamos na nossa crónica de ontem, é a mais rápida, inteligente e perigosa, que em onzes portugueses temos visto. João dos Santos e Casaca conduziram três ou quatro avançadas que foram um primor de execução. A bola em suave zig-zag ia de um para o outro, sem que ao fazer a passagem perdessem a elegância das suas figuras..."

O "Heraldo de Aragon" dizia:
A equipa lusitana produziu em Barcelona muito boa impressão.
Os seus dois jogos em Saragoça foram muito renhidos e os da casa não contavam com a derrota.
A equipa portuguesa possui muitos valiosos elementos, que fazem um conjunto perigoso. O ataque é rápido, soltam fortes tiros e é necessária uma superior defesa para os conter.
Os restantes jogadores põem no jogo muito entusiasmo, conhecem bastante da técnica futebolística e formam um onze cujo jogo é brioso e admirável!"

Foram 4 jogos amigáveis em Espanha, no inicio da longinqua época de 1924-25, outras tantas vitórias.
A imprensa desportiva local através do "Sport Setúbal" lamentava-se:
"... não merecia o Vitória referências positivas por parte da nossa imprensa escrita nacional?..."


Falando de homens golo.
Sei que o Vitória teve nos tempos dos Arcos alguns bons jogadores "Pró- Golo".

Dos que vi jogar o Duda foi o melhor.
Jogou cerca de 3 meses pelas Reservas, e não parecia apresentar as credenciais que viria mais tarde a confirmar.
Foi bem trabalhado e treinado por Pedroto. Depois de ambientado tornou-se num terror para as balizas adversárias.
Foi em minha opinião o Ponta de Lança mais completo que vi jogar pelo Vitória. Fazia preparação individual por sua iniciativa a correr em Tróia, Kms e Kms, em areia seca, para como ele dizia ganhar endurance e força muscular.
Marcou golos extraordinários, para todos os gostos, de cabeça ou com os pés.
Foi depois para o Porto e regressou ao Vitória já veterano, onde jogou a defesa central.

Vítor Batista, era também muito bom.
Quando pegava na bola entre o grande círculo e a grande área em progressão começava a causar pânico nos adversários.
Tinha um lance característico que dava muitos golos, receber a bola no peito, rodar e rematar violentíssimo de primeira.
om jogo aéreo.
Saiu para o Benfica, jogou também no Boavista, voltou ao Vitória.
Certo dia ouvi um jornalista perguntar-lhe:
- Vítor, correm rumores que você é homosexual, é verdade?
Ao que o bom do Vítor respondeu:
- Sim é verdade. Já passaram muitas mulheres pela minha cama.
A vida deste dava um livro.
Aquando da sua 2ª. passagem pelo Vitória era frequente vê-lo passar para o treino a fumar o seu charro, depois de estacionar o seu Jaguar branco ali na zona onde é hoje o Bar da Ester.
Os putos como eu espreitavam para dentro do carro e era giro ver todo o "material" ali bem à vista de todos.

O José Torres, o bom gigante embora já veterano ainda fez aqui duas boas épocas. Tirando partido da sua altura marcava bem de cabeça. Na época raro era o central que chegava ao 1:80, por isso o Torres tirava partido disso mesmo.

Mirobaldo, não é muito falado por cá, mas era muito bom jogador.
O Vitória foi buscá-lo ao Farense, e em boa hora o fez.
Era excelente, muito embora jogasse no centro, tinha um pé esquerdo melhor que o direito.

O Guerreiro, tapado no Benfica fez aqui bons jogos e alguns grandes golos, também na UEFA.

O Arcanjo, era também um bom avançado.

Vitor Madeira, foi um caso de sucesso no Vitória. Tratava-se de um jogador proveniente da 2ª. Divisão que o VFC contratou no inicio da década de 80.
O seu primeiro jogo foi salvo erro aqui no Bonfim contra o Sporting. O Vitória ganhou 2-1. Andou envolvido à chapada com o Rui Jordão (com quem uns anos depois jogou aqui).
O seu primeiro ordenado no Vitória lembro-me que eram 26 contos mensais!
Lembro-me muito bem que dava tudo o que tinha era um grande profissional, mas um tanto ou quanto fiteiro.
Certo dia num jogo com o Benfica aqui em que perdemos 1-0, provocou a expulsão do Bento (GR). Quando este se prestava para repôr a bola em jogo o Vitor estava ali a dificultar o movomento do Bento. Este simula que lhe atira a bola à cara. O bom do Vítor agarra-se à cara e cai no relvado como se tivesse sido atingido.
O Bento é expulso, vai o Bastos Lopes para a baliza, mas nos 15 minutos finais o Vitória não consegue dar a volta...

O Manuel Fernandes terminou aqui a sua carreira e teve ainda bons apontamentos, tal como o Jordão.

Aparício - veio de França pela mão de Manuel Oliveira no fim dos anos 80. De pés era tosco, embora ainda tivesse feito bons golos. Mas no jogo aéreo era muitíssimo bom.

Yequini - não posso deixar de falar dele (senão o nosso Tójó mata-me). Não foi nem de perto nem de longe o melhor, mas foi o último grande avançado do Vitória. Para ser o melhor faltava-lhe um pouco mais de técnica e uma muito melhor impulsão no jogo aéreo.
Mas tinha um remate mortífero e foi sem dúvida o idolo de uma geração, a dos quase cotas

 


Vi há uns anos umas fotos antigas do Rui Salas, bem gaginho, à janela de um comboio cheio de Vitorianos com uma bandeira à Vitória.
Foi Director Departamento de Futebol e dizia muitas vezes que estava ali era para servir o Vitória, nem que fosse para rasgar bilhetes.

João Lúcio antigo correspondente de "A Bola" é outro Vitoriano de respeito. O Vitória tinha em Toronto (Canadá) junto da Comunidade Portuguesa, muitos seguidores e admiradores também fruto do seu amor ao clube. Tem certamente muitas histórias por contar...

Josué Monteiro dispensa apresentações. Enquanto jovem praticou ténis de mesa. Dispensa apresentações.
É um Vitoriano Cinco Estrelas, na dedicação, na educação, enfim não há palavras...

Tavares da Silva do alto dos seus 90 anos de vida é o mais velho dos Vitorianos vivos e curiosamente o que começou mais cedo nas lides Directivas.
Este Homem bebeu conhecimentos com a elite do Futebol Português e ajudou desta forma também a projectar o nosso Clube.
Tinha um relacionamente previligiado não só com as altas esferas, como com os treinadores e mesmo com os jornalistas.
Lembro-me muito bem de passar à porta da Sede (Palácio Salema) e de o ver sair com a sua pasta ou de ir espreitar para a sua secretária e ver aquilo apinhado de papelada.
Era ali na Sede do Vitória que os jogadores recebiam o ordenado e assinavam os contratos.
O Vitória tinha especial relação de amizade com o Jornal "A Bola" fruto precisamente de João Lúcio e de Tavares da Silva, mas também das grandes equipas que teve.
Principalmente a década de 60 do Vitória foi absolutamente imperdível para a História do futebol português.
Só para falar dos nomes mais conhecidos do 1º. jornal desportivo, Ribeiro dos Reis e Homero Serpa tinham relação próxima com Tavares da Silva e com o Vitória.
No nosso futebol de outros tempos as actividades de jornalista e de treinador andavam de braço dado. Veja-se por exemplo os nomes de Cândido de Oliveira e de Fernando Vaz. O primeiro aconselhou o segundo a Tavares da Silva como nosso treinador, seguindo-se depois José Maria Pedroto.
O Vitória era um clube apetecível. O Vitória tinha a nata dos melhores técnicos do país, porque seria?
Continuando com Tavares da Silva, pois, ele iniciou-se no Vitória como seccionista do Chinquilho. Nunca praticou qualquer actividade desportiva.
Aos 21 anos já era suplente da Direcção em exercício.
Chegou a ser Tesoureiro, Presidente do Conselho Fiscal e Vice-Presidente. Mais tarde foi convidado a ser Secretário Permanente.
Teve convites dos melhores clubes: Benfica, Sporting, Porto e Braga.
No inicio da década de 90 foi agraciado pela direcção de Fernando Oliveira com uma Homenagem/Louvor.
Os seus Presidentes de Direcção preferidos foram: Goes (Pai); F.Pedrosa; Luís Nunes e Fernando Oliveira.
Quanto a treinadores: Fernando Vaz; Pedroto e Manuel Oliveira (que esteve quase 4 épocas no Vitória e que os sócios não gostavam porque era demasiado defensivo).
...Só um aparte para dizer que Manuel Oliveira percebia e percebe realmente de bola (chamo-lhe o dono da verdade), que faz hoje comentários aos jogos da Rádio Renascença, não conseguindo disfarçar um Sportinguismo que chega a ser agoniante, e que quem o ouve falar, parece que foi no passado um treinador de ataque)...
Para finalizar, e no que respeita a jogadores, pois T.Silva teve interferência directa na vinda por ex. do Petita (jogador do Marítimo) que lhe deu um trabalhão convencer a vir, de Figueiredo (reserva do Sporting) que nos deu um jeitão no ataque, do Wagner (Leixões), que pedia uma pipa de massa ao Vitória e que o Tio Constantino convençeu-o a ir para o Brasil, donde veio para o Vitória.
O nosso Jota que o Vitória seguia à uns tempos, mas que foi para o Benfica. TS pediu-lhe para não mostrar serviço até que o Benfica o dispensou. Foi para Angola e o Vitória deitou-lhe logo a mão.
O Zé Maria também foi dificil de segurar depois de cá estar...
O Mirobaldo foi abordado por Tavares numa rua de Portimão, depois de ter sido corrido deste Estádio algarvio...
O velhinho sócio nº. 1 tem, pois, muito que contar...

 


A época de 1972-73 foi uma das melhores de sempre do VFC, que bem podia com um pouquinho mais de sorte ser emoldurada a Ouro.
Uma posição no Pódio no Campeonato Nacional, finalista da Taça de Portugal e na UEFA presença até aos 4os de Final.
É destas duas últimas competições que vou falar, porque me lembro bem delas.
A final da Taça 1973 tinha um Sporting fortissímo e na máxima força e um Vitória apenas forte, porque lhe faltavam duas pedras basilares na equipa, Carlos Cardoso e Octávio Machado.
O Sporting tinha nessa época o ponta de lança que mais golos marcou em Campeonatos Profissionais no nosso País até aos dias de hoje, o Argentino Yazalde. Nesse jogo marcou 1 golo tendo os outros dois sido do nosso amigo Fernando Tomé, que nos dias seguintes passou um mau bocado na sua cidade.
O Sporting ganhava por 3 até que o Vitória deu um ar da sua graça ao marcar por 2 vezes. Duda primeiro e Vicente (um brasileiro de boa qualidade e velocidade) depois através da excelente marcação de um livre bateu o Vitor Damas devolvendo a emoção ao jogo que acabou por terminar com um 2-3 favorável ao sporting.
Na Taça UEFA o Vitória passa facilmente com uma equipa polaca a 1ª. eliminatória, depois passa a Fiorentina numa noite de temporal como poucas. O 1º. jogo é em Setúbal à noite e ganha por 1-0, com a bola a passar ligeiramente a linha de baliza. Estavam no Estádio 100 ou 200 pessoas, o vento era tanto que até mesmo debaixo da pala chovia.
Na segunda eliminatória Vitória da Fiorentina por 2-1. O Vitória fez um dos piores jogos na Europa, perdia por 2-0 quando, contra a corrente do jogo, outra vez o Vicente se resolveu a rematar de fora um chuto embrulhado que traiu o Guarda-redes local.
Seguiu-se o Inter de Milão. O VFC vence em Setúbal por 2-0 e perde em Itália por 1-0. Este jogo foi à hora de almoço e aqui o je faltou às aulas.
A seguir a desilusão, o Vitória faz um bom jogo em Londres, perdendo sòmente por 1-0 e no Bonfim na segunda mão, com o Estádio à cunha, e depois de estar a ganhar por 2-0, já perto do fim Joaquim Torres resolve deixar passar uma bola morta pelo meio da cueca. O resultado fica pese o esforço da equipa pelo 2-1.
Julgo que o Vitória nunca esteve tão perto de uma final europeia.
1972-73 foi uma boa época mas podia ter sido inesquecível.

 


1973-74 foi a última grande época do Vitória na Europa, também ficou pelos Quartos de Final.
Nas duas primeiras eliminatórias calhou-lhe em sorte duas equipas Belgas, que passou.
A segunda delas foi o Racing White, uma potencia da época do futebol Belga (onde mandava o Anderlecht que em 70-71 eliminámos nos Oitavos).
A seguir apanhámos o Leeds United que vencemos em casa por 3-1 depois de termos perdido m Leeds por 1-0. Estava assim vingada a nossa eliminação precisamente de 70-71.
Por fim apanhámos o Estugarda, formação da antiga República Federal Alemã (Alemanha Ocidental). Conseguimos perder só por 1-0 lá. Depois em casa estivemos um furo abaixo do que se pensava. Empatámos 2-2 para contentamento da claque que viajou da Alemanha, que não sendo em grande número era bem animada, também fruto da nossa "Sagres"!!!

Já agora de referir que em 1974-75 foi o fim do Vitória na Europa até à época 1999-2000.
Após o 25 de Abril o Vitória deu o Estoiro Desportivo.
O Saragoça de Espanha foi o adversário em 1974. O Vitória já não apresentava o estofo dos 10/15 anos anteriores e o Saragoça era de facto muito forte.
Um empate em Setúbal e uma derrota por 4 sem resposta em espanha.


Bem continuando e voltando outra vez atrás.
Época 1971-72, foi uma enorme frustação a eliminação nos oitavos com uma equipa desconhecida da Roménia, que se chamava (Arad??).
Antes Nimes, 1-0 em casa, 1-2 fora, deu para passar.
A seguir 0-0 em Moscovo contra o Spartac. A curiosidade era grande. O pessoal ouvia falar dos Russos e queria ver se eram Russos de cabelo ou mesmo extraterrestres.
O que é certo é que no Bonfim não cabia nem uma agulha, nem nos peões. As crianças das escolas viram o jogo na pista (aliás nos grandes jogos internacionais isso era frequente acontecer).
Veio gente de Lisboa, dos metralhas, do Alentejo e do Ribatejo para ver o Vitória jogar!
E que jogo o Vitória fez. O pessoal ficou rendido com os 4-0 a uma potência do futebol internacional.
A equipa na época era conhecida por salmonetes (e não por golfinhos).
A frase: "Queriam salmonetes?... pois apanharam com crocodilos!!!"
Como alguém costumava escrever aplicava-se na integra.
Bem depois chegou a desilusão. na 3ª. eliminatória o tal Arad (julgo que é assim) goleou por 3-0 num ambiente frenético.
Eu ouvi o relato e mal se ouvia o locutor tal era o barulho.
Quanto aos golos, bem algo de anormal se passou com o J.Torres nesse jogo.
Eu vi o resumo (a preto e branco na época) e não sei se foram também bolos, se foi Moscatel ou algum vinho, mas que as bolas eram rematadas por alto e o nosso guarda redes se atirava como se fossem rasteiras era verdade.
Na 2ª. mão o Vitória bem porfiou mas só um golo do Zé Maria, remate de fora da área não chegou.
Este jogo foi à tarde. O Estádio não tinha ainda iluminação.

Oportunamente falarei da época 1968-69, onde só com um pouquinho mais de sorte daria para recuperar em Alvalade dos 1-5 de Newcastle!


 

Bem vamos lá então falar da UEFA 1968-69.
Na 1ª. eliminatória o VFC teve como adversário uma equipa da Irlanda do Norte e ganhou os 2 jogos, na 2ª. como Lyon de França, mais 2 vitórias. Em Setúbal foram 5 secos.
Na 3ª. a Fiorentina de Itália, venceu em Alvalade primeiro por 3 secos. Em Florença perdeu por 1 de diferença, salvo erro 1-2.
A 4ª. eliminatória (4ºs de final) era aguardada com grande espectativa, contra o todo poderoso Newcastle United.
O jogo disputou-se à noite sob neve intensa. O Vitória principalmente devido ao estado do relvado foi esmagado por 5-1. O golo de honra se bem me lembro foi da autoria do JJ, quando o Vitória já perdia por 4 ou 5, não me recordo bem. Era bem puto (8 anos)!
Mesmo com um resultado tão desnivelado o Vitória estava bem e acreditava ser possível na 2ª. mão a reviravolta que esteve realmente prestes a acontecer.
O pessoal conhecido por VIII EXÉRCITO compareceu em grande número e os lagartos deram também uma ajuda. Pois bem o Vitória fez um jogo memorável, seguramente dos melhores de sempre. Chegou ao 3-0, esteve à beira do 4-0 que dava a passagem, mas tanto porfiou que acabou por sofrer o golo que deitou tudo por terra. Com brio ainda foi atrás do prejuízo, mas os Ingleses mais experiêntes e matreiros souberam defender-se bem até final.
Havia uma característica no Vitória, que era no Domingo seguinte a uma Competição Internacional, realizada quase sempre à 4ª. feira, a equipa sempre que jogava fora do Bonfim perdia, devido ao desgaste físico e emocional dos jogadores... mas no Domingo seguinte a esse jogo com o Newcastle, o Vitória voltou a Alvalade e foi lá ganhar por 1-0 ao SCP.

A constituição dessa equipa não devia andar muito longe da seguinte:
Vital; Conceição, Cardoso, Herculano, Carriço; J.Maria, Tomé, Wagner; Arcanjo, Figueiredo, JJ.
Faziam também parte do grupo: Augusto, Petita, Guerreiro, V.Batista.
(Pedras, Leiria e Torpes acho que não faziam já parte...)

... outros nomes vieram depois, mais ou menos por esta ordem:
Rebelo, Correia, Octávio, Joaquim Torres, Pedro, José Lino, Praia, Matine, Vaz, Amâncio, Câmpora (brasileiro esquerdino meio campista que veio do Barreirense, tinha um pontapé-canhão rasteiro), José Torres, João Cardoso (primo do C.Cardoso, chegaram a jogar os dois juntos como centrais), Duda, Bio, Cipó, Vicente e o Caíca (que passou a jogar no lugar do Carriço, em meados nos anos 70)...

Para terminar as Competições Europeias, apenas queria acrescentar que o todo poderoso Liverpool também caiu aos pés do nosso Vitória. Decorria a época de 1969-70, Vitória no Bonfim por 1-0, derrota em Inglaterra por 2-3. Deu para passar fruto dos golos marcados fora.


A substituição dos Arcos pelo Bonfim melhor ou pior é do conhecimento geral.
O nosso Estádio foi inaugurado em 1962 e as histórias dos Mealheiros gigantes, das rifas, o trabalho arduo do povo, as carroças, os camiões (sem direcção assistida Laughing ), o cimento oferecido, o material roubado para ajudar o Vitória... valia tudo desde que fosse para o Vitória...
O Pavilhão passa a ser, precisamente, Pavilhão a partir de 1984, quando Luís Nunes, um dos mais empreendedores Presidentes do Vitória, deita mãos à obra.
De qualquer modo esse espaço foi durante muitos anos um ringue, com piso de cimento, inaugurado em 1961 e já com o nome do seu impulsionador e patrocinador, Sr. Antoine Velge, Administrador da SAPEC (Grupo que fez este ano 80 anos de vida). Neste espaço jogou-se Basquete, Andebol, Volei e Hóquei em Patins.
A familia VELGE, oriunda da Bélgica, sempre se considerou também como que Setubalense por adopção. O Hospital de Setúbal, teve o dedo, que é como quem diz o seu dinheiro por trás. Para quem não sabe o Hospital não se chama de S. Bernardo por acaso. Este era o nome de um dos filhos de Antoine, entretanto falecido vítima de doença.
Bem continuando, não admira pois, que a Sapec e o Vitória tivessem nessa fase de ascenção e consolidação uma forte interligação. Muitos foram os atletas do Vitória, que trabalhavam ou vieram a trabalhar naquela Empresa.
E que atletas!!!
Pois bem, no Basquetebol, Joaquim Aurélio Faria era um Ás. Diziam que tinha uma mãozinha divinal para encestar. Foi jogador do Vitória na década de 50 e inicio de 60 e logo a seguir treinador do nosso Basquetebol feminino.
No andebol, jogado no Campo de jogos ao ar livre, ou no Pavilhão do Clube Naval, haviam jogadores como por exemplo Joaquim Tavira (infelizmente já desaparecido), um dos melhores andebolistas de sempre da história do VITÓRIA (a par do Antº. Morais) e outros como João Leal, Zé Manel, Jaime Jorge (que penso que também vestiram a nossa camisola).
Mais tarde Zé Pontes (campeão nacional de Juniores pelo Vitória em 74-75) também trabalhou na Sapec uns anos depois.
Quanto a dirigentes ou seccionistas estou a lembrar-me por exemplo de Francisco Nunes (Ginástica) e Joaquim Pontes da Costa (Ginástica e Tesoureiro).

Para terminar o capítulo do Ringue, queria só aqui recordar que na década de 70 era corrente a equipa profissional do VITÓRIA fazer o aquecimento para os neste espaço.
Os jogadores calçavam as sapatilhas e 45 min. antes de subirem o túnel sentiam o pulsar e o calor dos adeptos. Era um convívio muito salutar. Os jogadores brincavam e descontraiam-se com a malta...


 

Parece que foi ontem mas já se passaram quase 12 anos!
Foi na época de 1994/95 que o Vitória esteve prestes a sagrar-se Campeão Nacional de Juniores.
A fase final era composta pelo VFC, Benfica, Boavista e Braga.
Como bem se devem lembrar no jogo do Bonfim o Boavista teve 2 jogadores avermelhados, Nuno Gomes e Tavares. O Conselho de Disciplina da FPF decidiu punir os jogadores com respectivamente 3 e 5 jogos.
Acontece que ficaram de fora apenas 1 jogo, tendo alinhado no último frente ao Braga (que jogou apenas com o Quim na baliza, sendo os jogadores de campo todos juvenis) que já não discutia nada. O resultado foi 7-0 para o Boavista, com acção decisiva dos 2 castigados.
O Vitória precisava ganhar ao Benfica também pela maior margem possível. Jogou bastante e ganhou justamente por 4-0.
Era campeão quem tivesse melhor diferença entre golos marcados e sofridos.
A melhor diferença foi do Boavista, mas com batota sem dúvida alguma.

O VFC recorreu ao Conselho de Disciplina e foi Campeão durante 1 ou 2 semanas, talvez.
Seguiu-se o Boavista ao Conselho de Justiça que em última instância conseguiu que as suas pretensões fossem atendidas.

O Vitória e os seus Dirigentes foram ANJINHOS. Nunca quiseram em todo o Processo ripostar dizendo claramente que havia batota por parte do Boavista e uma colaboração estreita do Braga na utilização dos seus jogadores juvenis.
Quiseram antes dar uma de bem comportados, falando em protesto por alegado erro técnico e negligência do Boavista, ao colocar os jogadores castigados em campo no derradeiro jogo do Campeonato.

Parece-me, se a memória não me está a pregar uma partida, que um dos Juízes do Conselho de Justiça da FPF, que votou contra o Vitória, veio a ser Presidente da Direcção do nosso clube uns largos anos depois.
Não vou aqui escrever o seu nome, porque não tenho a certeza absoluta, mas gostava de saber se alguém tem conhecimento.

O Director era Nicolau da Claudina.
Quanto à equipa treinada por Fernando Tomé:
Marco Tábuas e Hugo Alves; Rolo, José Carlos, Mário Loja, João de Deus; Sandro, Carlos Manuel, Frechaut, Mendão; Portela, Sérgio Jorge, Josualdo, Rebocho...


O nosso Jota deixou-nos em finais de Outubro de 2004.
Tenho recortados e guardados 2 artigos da Revista "Record" que devem ser datados de Novembro de 2004, por aí.

O 1º. é da autoria do Setubalense, José Mário Mourinho.

ADEUS AO JOTA
Nasci perto e cresci lá dentro. No Bonfim andei, brinquei, idolatrei o meu pai, cheirei o jogo e as relações humanas específicas do futebol, fui menino querido e mimado dos colegas do "Manel", como carinhosamente o José Manuel Mourinho era e continua a ser tratado pelos Tomés, Zé Marias, Herculanos, Jota Jotas e outros agora ilustres desconhecidos das novas gerações.
Setúbal continua uma aldeia onde nos encontramos facilmente uns aos outros e, no dia a dia, aconteceu sempre ouvir uma voz inconfundível a chamar-me: "Manel"! Era o Jota, a única pessoa que me chamava assim.
Os anos passaram. Após a licenciatura, fui treinar os juvenis do Vitória e simultaneamente, fui adjunto dos juniores treinados por Jacinto João. Foi um prazer! Recordo a simplicidade, a boa disposição, o tacto inacto para a pedagogia, a confiança que em mim depositava e lhe permitia uma forma descontraída de estar no treino. A vida correu, rápida de mais até, e o sucesso bateu à minha porta de forma impactante. Pessoas houve que mudaram e deixaram de ter para comigo os comportamentos antigos (o que em alguns caos até entendo), mas outras continuaram a deliciar-se com o meu rumo profissional... Jacinto João indubitavelmente era daqueles que desfrutou com o meu sucesso.
Desapareceu, mas penso que a minha geração não pode permitir que assim seja. O meu filho irá ouvir falar do JOTA e do VITÓRIA que ele, o avô e muitos outros fizeram; os filhos de Setubalenses como eu não podem deixar que essa geração se dilua, que seja esquecida com o decorrer do tempo.
Esta é a minha singela homenagem a JOTA JOTA, um jogador que nos fazia rir e um Homem especial.

O 2º. artigo é da autoria do jornalista Afonso de Melo, e é também uma Homenagem ao nosso querido Jota.

E ELES ASSOBIAVAM
Para mim, JJ não levava pontos. Não é J.J. é JJ e chega!
O Mestre Carlos Pinhão, que fez o favor de ensinar alguns de nós, tinha razão: "As legendas não levam pontos finais."
Em 1973, o futebol ainda se jogava á tarde. Quero dizer: o Benfica, o Sporting ou o FCPorto ainda jogavam à tarde, coisa que agora, como sabemos, já não pode ser. Os outros podiam até jogar de manhã, como acontecia com a Académica, o Leixões, o Barreirense ou a CUF que tinham jogos transmitidos pela TV ao ronadr o meio dia. Pouco importa.No dia 30 de Dezembro de 1973, o Vitória de Setúbal ganhou ao Benfica no estádio da luz, o que era mais ou menos proibido, embora não por decreto.
Eu explico: quem proibia era o Benfica, porque era melhor e tinha Eusébio. No dia 30 de Dezembro eu estava lá. E vi: uma sombra entroncada, escura, escapulindo-se pelo lado esquerdo, sempre pelo lado esquerdo; a perna entortando-se sobre a bola e, depois, o salto em frente, felino, feroz; a bola obediente, mansa, respeitando a geometria dos passes, as elipses dos centros, interiorizando a violência dos remates, desobedecendo apenas, volta e meia, à lei da gravidade, como naquele golo em que voou sem remissão para o canto da baliza que a esperava e lá ficou. Eu vi: foi o JJ, sem pontos, que marcou esse golo, o terceiro do Vitória. E a bola partiu do seu pé esquerdo a, para aí, trezentos mil quilómetros por segundo, que é a velocidade da luz. Foi um golo de luz. O Eusébio não esteve na Luz, nessa tarde. O JJ jogou por ele: mas na equipa contrária.
Era garoto e os nomes soavam-me: Carriço. Octávio, Matine, Cardoso, José Maria, Arcanjo, Conceição, Vagner, Câmpora, Torres, Duda, Guerreiro (a quem chamavam Del Sol), Mendes, Rebelo, Tomé, o meu bom amigo Tomé... Não me lembro ao certo de quem estava nesse jogo, nessa tarde, mas não quero ir ver a papéis ou jornais velhos, quero apenas a recordação vaga da tarde e dos sons. Porque não foi apenas esse jogo e essa tarde; foram muitos jogos em muitas tardes, e os nomes eram estes, foram estes, continuarão a ser estes na aldeia branca da minha memória.
... E eles assobiavam. Eles assobiavam uns para os outros como pássaros que assinalam o momento de desfazer e recompor o bando para fugir à pedra que uma fisga lançou. Assobiavam e reconheciam os assobios e sabiam por eles o local exacto onde deveriam estar, o local preciso onde a bola surgiria na sua frente, o movimento perfeito que lhes permitiria surgirem unidos como nunca na hora de defender.
Nunca tinha visto uma equipa jogar de assobio e nunca mais vi. Ou melhor: nunca tinha ouvido uma equipa jogar de assobio e nunca mais ouvi.
Este é um país onde não há mortos maus: a incompetência morre com a morte física.
Era garoto e lembro-me de perguntar: "Mas porque é que é que agora´eles não jogam?" E eles não jogavam porque ficavam por ali, trocando a bola, repisando a bola, repetindo a bola, saturando a bola,. Depois, mais tarde, fiquei a saber a resposta,: era o treinador, era o Pedroto, que queria assim, preso aos medos, aos complexos, a essa submissão de ser pequeninos que nos levava a empatar com a Inglaterra, mas nos proibia de ganhar à Inglaterra.
Só que havia o JJ, sem pontos, que não tinha medos. E os outros, como ele, também não tinham medos. E deixava de ser proibido ganhar na Luz.


Muitos foram os futebolistas do VFC que foram Internacionais AA por Portugal.
Houve de tudo um pouco desde jogadores que foram internacionais em fim de carreira, como outros que começaram logo enquanto jovens e depois foram mais tarde em representação de outros emblemas.
É disso que este trabalho de "sapa" dá a conhecer ou a recordar:

JOGADORES SÓ INTERNACIONAIS PELO VITÓRIA:

NOMES Nº INT ÉPOCAS OBS
VFC

Emídio Graça 12 1955/58 Médio

Jacinto João 10 1968/74 Avançado - 2 golos

João dos Santos 11 1926/31 Avançado - 4 golos

Armando Martins 11 1926/31 Avançado - 3 golos

Francisco Rebelo 8 1971/75 Defesa

Joaquim Conceição 5 1969 Defesa

Artur Camolas 4 1927/31 Guarda Redes

José Maria 4 1967/70 Médio

Jorge Ferreira 4 1989/90 Defesa

Artur Vaz 3 1953/54 Defesa

M.Santos"Carriço" 3 1969/72 Defesa

Félix Guerreiro 3 1969/71 Avançado

José Pedras 3 1967/68 Médio

Antº. Amaral 2 1981 Guarda Redes

Franscisco Santos 2 1930/31 Avançado

Fernando Tomé 2 1969 Médio

António Aparício 1 1987 Avançado

Carlos Cardoso 1 1969 Defesa

Francisco Silva 1 1930 Defesa

Hélio Sousa 1 1994 Médio

Raúl Alexandre 1 1930 Médio

Octávio Cambalacho 1 1927

Domingos Neves 1 1930

Passo a informar os jojadores Internacionais pelo VFc e outros Clubes:

NOMES = Nº. INT VFC - ÉPOCAS = Por Outros - ÉPOCA = OBS

Jaime Graça = 12 (1965/66) + 24 (SLB) - 1966/67 = médio

José Torres = 2 (1971/73) + 31 (SLB) - 1963/70 = avançado

Jaime Pacheco = 1 (1990) + 12 (FCP)83/84 + 12 (SCP)84/86 = médio

Octávio Machado = 10 (1971/75) + 10 (FCP)75/77 = médio

Adelino Nunes = 2 (83/86) + 1(1991) + 5(SLB)86/87 + 10(SCM)88/89 = Def/Médio

Rui Jordão = 3 (1988/89) + 11(SLB)72/74 + 29 (SCP)76/85 = Avançado

Vitor Batista = 4 (71/72) + 1 (SLB) 1971 + 6 (SLB) 1973/76 = Avanç.

Augusto Matine = 7 1972/73) + 2 (SLB) 1970 = Médio

José Mendes = 3 (1971/74) + 5 (SCP) 1975/76 = Médio

Ernesto Figueiredo = 4 (1968/69) + 2 (SCP) 1966 = Avançado

Hernânio M. Neves = 1 (1987) + 1 (SLB) 1990 = Médio

De acrescentar outros nomes que não foram internacionais AA enquanto jogadores do Vitória, mas que passaram por cá e / ou são mesmo naturais de Setúbal tais como:

- Luís Sobrinho
- Silvino Louro
- Pedro Venâncio (foi júnior)
- Fernando Mendes
- Diamantino Miranda


Outros que cá jogaram e foram internacionais enquanto jogavam noutros clubes:

- Jorge Plácido
- Nascimento
- Rui Palhares
- José Luís
- Ricardo Carvalho
- Paulo Ferreira


Bem, aproveitando a maré, vamos agora falar de treinadores.

Os que encontrei no Quadro dos Famosos foram os que passo a transcrever.

Alguém sabia que o Vitória já foi orientado por um treinador de origem Hungara, natural de Budapeste, mas naturalizado Português?...
Pois o seu nome era Janos Biri, nasceu em 1900, e chegou a Portugal na casa dos 30 e poucos anos, para jogar a GR no Boavista, tendo depois ainda jogado no Porto.
Trabalhou em várias equipas , foi 3 vezes campeão pelo lampiões.
Treinou o VFC em 52/53; 53/54; 54/55 conseguindo respectivamente 6º.; 12º.; 8º. lugar.

Jimmy Hagan depois de ter passado pelo SLB e CFB trabalhou 1 ano no nosso Vitória. Foi em 1979/80. A classificação foi um 12º. lugar.

José Maria Pedroto trabalhou 5 épocas consecutivas desde 1969/70 a 1973/74.
A sequência classificativa foi:
3º. ; 4º.; 2º.; 3º.; 3º. (nesta época saiu a meio do Campeonato quando seguiamos isolados em 1º., veio o José Augusto).

Fernando Vaz, foi o treinador, mais amigo do Vitória, o mais honesto, o que pensou mais no clube do que nele próprio.
Esteve no VFC 6 épocas completas. Na última 77/78 estava a ser algo contestado (tinha alguma idade e os resultados não ajudavam) e resolveu sair.
Da sua longa carreira foi campeão pelo SCP, trabalhou ainda no Belenenses, Porto, CUF, Braga, Guimarães, Académica, Atletico, Beira-Mar, Marítimo, mas foi no Vitória onde esteve mais tempo, como passo a indicar:
1951/52 = treinou o VFC na Liguilla (*) de Subida à 1ª. Divisão
1961/62 = Idem idem. Também subiu
1964/65 = 6º. lugar + Vencedor Taça ao Benfica 3-1
1965/66 = 5º. lugar + finalista Taça
1966/67 = 5º. lugar + Vencedor Taça AAC 3-2 (AP)
1967/68 = 5º. lugar + finalista Taça
1968/69 = 4º. lugar
1976/77 = 6º. lugar
1977/78 = 9º. lugar (incompleta)

(*) Liguilla, para quem não sabe era uma competição muito renhida e interessante, que era um pequeno campeonato a 3 ou 4 equipas, no fim da época para decidir quem subia de Divisão.
Os primeiros tinham acesso directo à divisão superior, os 2 últimos à descida imediata. Os antepenúltimos e os segundos classificados disputavam a permanencia ou a subida ao escalão superior.
Isto em todas as divisões.
Era uma maneira dos clubes reforçarem um pouco os cofres no fim das temporadas e chegava a ter muito mais interesse que os jogos de meio da tabela, que não contavam para nada.

Outro Treinador conceituado, muito embora nunca tivesse treinado nenhum dos 3 metralhas, foi Manuel Oliveira, que esteve cá talvez umas 3 ou 4 épocas.
Em 1984/85 tinha como preparador físico o Prof. Monge da Silva e como adjuntos o José Mendes e o JJ.
Saiu a meio da época 1985/86, ficando o seu adjunto F. Tomé a tomar conta da equipa até final da época, que foi negra para a história do VFC.
O Vitória pensava que o empate na Madeira com o Marítimo dava para se aguentar na 1ª.. Acontece que a Académica 2 minutos após o tempo regulamentar resolve sofrer um golo que deixa o Aves na 1ª. e nos atira para a segunda, o que já não acontecia precisamente desde 1961/62.
Contaram-me depois que eu fiquei branco como a cal. Ainda hoje recordo esse momento como o pior que vivi enquanto Vitoriano.


Julgo que nunca é demais falar de Jacinto João.
Pois bem , o nosso Jota segundo sei nasceu em 25/01/1944 (seria??), tendo começado a jogar no Benfica do Congo com 14 anos.
Em 1962/63 o Vitória e o Benfica disputavam o jogador. Á chegada a Lisboa foi desviado para a Luz, para grande desgosto dos responsáveis Vitorianos.
Constantino Tavares da Silva foi um dos que nunca se conformaram com isso. Dois futebolístas angolanos do Vitória, os irmãos Zé Maria e Conceição são muitas vezes metidos ao barulho no sentido de influenciarem o Jota a rumar a Setúbal.
O que parece verdade é que o Vitória desta ou daquela maneira nunca deixou o desgraçado em paz para fazer o seu trabalho descansado.
Treinava na Luz mas era tanta a pressão que a sua cabeça já parecia estar mais em Setúbal junto dos seus compatriotas.
Depois de uns meses na Luz, parece que nunca rendeu o que sabia verdadeiramente. O Benfica chega a apresentar-lhe uma proposta que ele rejeita regressando a Luanda.
Ingressa no Futebol Clube do Congo (filial do FCP) e o Vitória encontra então o caminho livre.
Em 1965 ingressa então no Vitória, onde se mantém sem interrupções até à época de 1974/75, que não chega a terminar.´
Tinha-se dado a Revolução de Abril e os jogadores passam a ser livres.
O seu último jogo foi contra o Benfica, jogo a que assisti. O Vitória ganhou 2-1, o Jota marcou um golão de livre directo nesse jogo na baliza sul.
Saiu emocionado e muito aplaudido e todos nas bancadas começamos logo ali a sentir uma enorme nostalgia.
O Vitória estava em dificuldades e ele tentou a sua sorte na Portuguesa de Desportos do Brasil.
Acho que ele por sua vez, antes de sair já estava com saudades.
Regressou um ano depois em 1976, e manteve-se no VFC até 1980.
Terminou a sua carreira, já em condições físicas deficientes, parece-me que no Fafe.
Em 1981/82 regressa a Setúbal para treinar os juvenis.
Teve 2 filhos, o Nuno João, que jogou nas camadas jovens do VFC como avançado e médio e o Jotinha (como eu lhe chamava) muito bom no futebol de salão e que infelizmente veio a falecer de acidente na Av. 22 Dezembro, precisamente em meados dos anos 90, na véspera de uma subida de Divisão do Vitória.
Como se sabe o Jota veio a falecer no final de Outubro de 2004.

O JOTA dava um gozo e um prazer imenso aos adeptos do futebol, mas também aos seus colegas, em especial os que jogavam em posições mais atrasadas em campo. Quase que dava jeito ser defesa ou GR só para ver o Jota deixar os adversários de gatas.
Para quem não sabe, a tripla angolana: Conceição, Zé Maria, JJ andavam sempre muito juntos.
Os seus carros na altura eram o Renault 12 (??). Certa noite vinham juntos da farra e de madrugada capotaram um dos carro numa curva que existia entre Aires e Volta da Pedra.

Também era frequente vê-los pela manhã, mesmo quando não havia sol, de óculos escuros, daí que os colegas lhes chamassem "os 3 pássaros madrugadores"!!


Ora bem dos recortes, jornais, revistas antigas, cromos, tudo do tempo da outra senhora ... que tinha e que já não tenho, salvaram-se os jornais O VITÓRIA (original), que começou a ser publicado em Set 1984 e terminou em Jun 1993.
O VITÓRIA teve 5 Directores a saber:
- Orlando Curto
- Carlos Matos
- Francisco Casas Novas
- Manuel Jorge de Gois
- José Francisco Pinto

Eles dão a conhecer bastante do Vitória, em especial desta época.
Lembrava-me perfeitamente duma entrevista dada pelo Hernâni então com 22 anos (edição nº. 34 Out/87) procurei o jornal que diz assim:
P: Hernâni o que diz deste jornal?
R: Tenho os jornais todos do Vitória desde o nº. 1 até ao último e graças a Deus quando não posso comprar, compra a minha mãe.
Acho que é uma boa iniciativa e está bem concebido. Engloba um bocado das modalidades amadoras, chamadas pobres, que eu também gosto de ver e o desporto rei.

O nº. 32, datado de Agosto/87, chamava a atenção na altura para os reforços no futebol, dos quais destaco:
Neno, Manuel Fernandes, José Rafael, Flávio, Fidalgo, Paulo Roberto, Lazar...
Também uma entrevista a António Santos, na época adjunto de Manuel Manita no Andebol (actual treinador no VFC)...
... e ainda uma entrevista a ... alguém que na altura não passava de um miúdo sem importância... Zé Mário Mourinho...
Foi há quase VINTE ANOS (!!!).
O entrevistador foi o Luís Lourenço.


Bem antes que me chateem a molécula, para dar a conhecer o que foi dito na tal entrevista, vou fazê-lo já, de uma forma resumida.

"Professor Mourinho é uma das aquisições de Fernando Oliveira para a época que se avizinha. No intuito de dar "sangue novo" ao Vitória 87/88 o Presidente remodelou sobremaneira o sector juvenil do clube.
José Mário Mourinho, o mais jovem elemento do departamento técnico do Vitória, teve com o nosso jornal uma conversa franca, aberta, e deveras elucidativa daquilo que se espera venham a ser as camadas jovens da colectividade vitoriana.
O Professor é pois, um homem a ter em conta, pois a sua acção dentro do clube vai concerteza ser notória e, a breve trecho todos o iremos comprovar.
A época futebolística já está à porta. Esperemos pois, a observemos atentamente o labor de quem certamente, com toda a sua capacidade de trabalho, vem para fazer do "nosso Vitória" um Vitória ainda maior.
Eis pois José Mário Mourinho!
P: Qual foi o teu percurso até chegares ao Vitória?
R: Como treinador, o meu percurso resume-se a 5 anos de formação no ISEF - com opção em futebol- , e treinei ba época transacta os iniciados do Comércio e Indústria.
Penso, no entanto, que o meu trajecto no futebol não se poderá resumir a esta minha curta carreira de treinador.
Quanto a mim, ela terá de ser entendida desde o dia em que entrei para o futebol com 4 ou 5 anos, ia para trás da baliza do meu pai para assistir aos seus treinos todos os dias; com 7 anos já o acompanhava em todos os jogos que ele disputava; aos 12 anos entrei para os infantis do Belenenses onde permaneci vários anos nas camadas juvenis do clube. Como jogador sénior, disputei as 4 divisões de futebol conforme passo a citar: Rio Ave, na 1ª., Sesimbra, na 2ª., Comércio na 3ª. e 1ª. Distrital.
Foi pois, assim, que eu cheguei ao Vitória.
P: A experiência no Comércio como foi?
R: ......
Conseguimos a melhor classificação de sempre do clube, um brilhante 3º. lugar.
P: Essa boa época serviu de mola real para ingressares no Vitória?
R: Eu penso que sim. O Vitória tem um elenco governativo muito dinâmico e atento. Logo, a exemplo do que está a passar no Benfica e Sporting, o Vitória achou que era altura de se acabar com aqueles a quem eu chamo de "Empiricos do Futebol", e começar a pensar em vôos mais altos. Ora, os dirigentes do Vitória observaram o meu trabalho no Comércio e viram os frutos que o clube colheu. Quiseram assim apostar em mim e cá estou eu para dar o meu melhor a este clube que tanto gosto.

P: Zé, sinceramente, estavas à espera do convite do Vitória?
R: Bem, nós quando realizamos um trabalho positivo, ficamos sempre à espera de algo mais.
Assim, houve vários convites depois do "términus" do nacional e só nessa altura eu tive uma leve esperança de que pudesse surgir algo concreto em relação ao Vitória.
No entanto, era bastante céptico em relação a isso até porque as camadas juvenis do clube eram um circulo bastante fechado onde não era fácil o acesso.
P: Bem o que sentis-te quando te convidaram?
R: Bem, é difícil de explicar. Treinar o Vitória, seja em escalão for é, não só uma grande honra, como também uma grande responsabilidade.
Mas, para te dar uma ideia da minha alegria, eu digo-te que para assumir este cargo eu deixei de fazer uma das coisas que mais gosto na vida: jogar Futebol!
P: Quais vão ser as tuas funções?
R: Vou ser o treinador dos juvenis e irei dar apoio ao JJ nos juniores, especialmente na parte que me diz mais respeito, a preparação física.
P: quais as primeiras impressões?
R: As melhores. O Conhé tentou que existisse amizade e colaboração entre os treinadores.
A nossa relação é óptima e isso é meio caminho andado de modo aos resultados serem positivos
P: Concretiza o que pensas poder vir a ser a época dos juvenis e juniores
R: Os nossos objectivos são essencialmente formativos, mas a meta prioritária é formar jogadores que possam vir a ser úteis aos séniores...

P: Zé, como "expert" na matéria, o que pensas dos métodos de trabalho do Roger Spry?
R: As linhas mestras são praticamente identicas em todos os preparadores.
No entanto, para além disso, o Roger tem uma grande variedade e criatividade de métodos, o que motiva bastante os jogadores.
Por isso mesmo, eu sou um admirador dos seus processos e aproveito para lhe desejar - e também a Mr. Allison uma época repleta de êxitos.
P: Na última Assembleia Geral, um associado disse "não estar de acordo que se fossem buscar pessoas que não tivessem nada a ver com o Vitória para treinar as suas camadas jovens".
Sentes-te de alguma forma atingido com esta afirmação?
R: Bom, é lógico que a critica é livre e muitas vezes até benéfica.
Quanto ao meu caso concreto, a afirmação proferida não me toca nem de perto, nem de longe.
Vejamos: sou sócio do Vitória desde o dia em que nasci; tive um tio que foi um dos maiores presidentes que passou pelo Vitória; o meu pai defendeu as balizas do clube durante 14 anos, sendo nesta altura que o Vitória começa a aparecer na alta roda do futebol, naõ só nacional, como internacional; e, para terminar eu era, como tu bem sabes, um colaborador do vosso jornal, só vos deixando para poder assumir a tempo inteiro as minhas novas funções.
Posto isto, é tácito que essa afirmação não foi feita em direcção à minha pessoa.
P: Zé, há muito boa gente no futebol, que se intitula de professor sem o ser.
Tu, que és mesmo professor, o que pensas disso?
R: Bom, é um facto que qualquer individuo com 1 ou 2 cadeiras do ISEF, ou com um mero curso de instrutor se apelida de professor.
A mim, ninguém trata por professor e em boa hora, pois é uma maneira de me demarcar dessa gente que tão mau serviço presta ao futebol.
P: No mundo do futebol, quais as tuas ambições?
R: Em termos de linha de conduta, espero poder seguir o exemplo que tenho em casa, que eu muito admiro, o meu pai.
Desde o relacionamento com dirigentes, acabando no roupeiro e passando pelos jogadores e por todas as pessoas que formam um clube de futebol.
Em termos de ambições a nível de treinador, penso calmamente seguir o meu caminho sem atropelar ninguém, de molde a poder chegar longe.
É, pois, prematuro pensar neste ou naquele clube. Para já estou bem e quero desempenhar o melhor possível o meu trabalho, com a consciência de que se cumprir serei recompensado.

"Muita coisa ficou por dizer, no entanto a ideia geral ficou bem presente: Zé Mourinho interessa ao Vitória!!!"

PARECE QUE FOI ONTEM, MAS JÁ FOI HÁ QUASE 20 ANOS!
PARABÉNS ZÉ!
SETÚBAL E O VITÓRIA ESTÃO RADIANTES COM O TEU SUCESSO!


Muitos de vós nunca viram jogar o Rui Jordão.
Posso-vos garantir que hoje, se ele jogasse na nossa equipa, mesmo com 36 anos, tinhamos muitos dos nossos problemas resolvidos, que é como quem diz não estavamos em perigo eminente de descida à 2ª.

É natural de Benguela, é um pacato dos diabos, não quer nada com protagonismos, mora em Cascais, dedica-se hoje em dia à pintura.
Começou novinho no Benfica, no inicio dos anos 70, saiu para o Saragoça 3 anos depois, onde esteve pouco tempo.
Regressou a Portugal e no auge da carreira representou o Sporting.
Pelo meio teve lesões gravíssimas. Partiu a mesma perna duas vezes seguidas, isto é esteve muitos meses parado, recuperou e poucas semanas após voltou a parti-la.
Pensava-se que era o fim, mas não aguentou-se.
Pelo meio teve convites do Porto, que não concretizou.
Pensava que tinha terminado a sua carreira com 34 anos e picos, mas o bichinho da bola ainda remoía e ia treinando no Estoril-Praia.
Esteve 1,5 ano sem competir, mas sob a Direcção de Fernando Oliveira e sob o comando de Allison e Spray acabou por ingressar no Vitória. O responsável directo pelo seu ingresso no nosso clube foi a influencia do seu amigo Eurico, que jogava cá nesse tempo, 1988.
Pelo Vitória, e já com 36 anos, e com umas pernas que metiam medo ao susto, tantas foram as mazelas sofridas, ainda foi o eleito por 3 vezes para representar a Selecção Nacional como Ponta de Lança!!!
Foi pelo nosso clube jogou ainda cerca de 2 épocas e foi o autor do melhor de um dos Campeonatos, pela critica da especialidade.
Era um jogador fantástico, lembra-me bem que quando marcava, eu ficava eufórico e ele reparava que havia alguém na bancada que vibrava mais que ele próprio.
Começou a tornar-se um hábito ao ponto de quando se dirigia para o centro do relvado, olhava para a bancada e imediatamente dava com o meu cachecol. Levantava o braço e apontava o indicador na minha direcção, como quem diz: É PARA TI!... eu respondia-lhe com um gesto idêntico.
Cada golo e acontecia sempre o mesmo...
Numa entrevista que deu, nesse tempo, lembra-me que deu os seguintes destaques:
- O facto de nunca ter sido expulso, durante quase 20 anos de futebol.
- Avançado preferido: Vitor Batista
- Teinador: Allison
- Guarda-redes: Meszaros
- Uma alegria: vestir a camisola do VFC no seu regresso ao futebol...

 


O Chiquinho Conde foi o primeiro futebolísta Moçambicano a emigrar depois da independência desse país.

Angola deu e continua a dar mais jogadores ao futebol português, mas de Moçambique vieram alguns grandes valores, como Peyroteu (1 dos 5 violinos do Sporting), Eusébio e Mário Coluna (Benfica) e Matateu (grande goleador do Belenenses).

Depois destes, Chiquinho Conde foi concerteza a maior referência do seu país em Portugal, onde jogou à volta de 15 anos!
Foi o primeiro moçambicano a representar a Selecção de África e o primeiro futebolista a representar o seu país por 3 vezes na Taça de África das Nações.
Chegou a Portugal com cerca de 21 anos, em 1987, para o Belenenses, após uma disputa renhida na sua aquisição com o Benfica.
Foi cobiçado pelo Porto em 90/91, mas a transferência não se concretizou.
Jogou em Braga em 91/92 e no ano seguinte tinha duas alternativas Chaves ou Vitória na 2ª. Divisão. Escolheu o Vitória. O treinador era Raúl Águas.
O Presidente era Fernando Pedrosa.

As aquisições mais sonantes para essa época foram, além de Chiquinho (ex-Braga); Jaime (ex-Belenenses), Rui Carlos (ex-Gil Vicente), Walter (Quarteirense), Eric (ex-União Tomar), Sesay (ex-Benfica C.Branco), Elisio (ex-Maia).
Da época anterior transitaram: Paulo Sérgio, Figueiredo, Quim, Paulo Gomes, Nunes, Hélio, Carlos Freitas, Diamantino e Beto.
Dos juniores promovidos nesse ano o único que viria a singrar foi Mamede.

Voltando ao Chiquinho, pois em 92/93 ajudou e muito o Vitória a subir de Divisão e em 93/94, com os seus 15 golos ajudou a conquistar um honroso 6º. lugar, a frente ele e o Yékini faziam mesmo mossa...
Essa boa época provocou a cobiça do Sporting nos seus serviços. Ele simpatizante sportinguista desde miúdo, não rejeita a promoção, mas não sem antes, assinar um contrato com o Vitória, na intenção nitida de dar algum dinheiro a ganhar a um clube que o ajudou a promover também e de quem ele guarda grandes recordações, ao ponto de dizer muitas vezes, que foi o seu Clube Talismã.
O Vitória recebeu, ouvi falar em cerca de 100.000 contos (seria??) do Sporting para libertá-lo.
Entrou nos lagartos pela mão de Carlos Queiroz, acabou de sair por vontade de Santana Lopes, presidente dos leõzitos, que incompatibilizado com CQ, fez sair o Chiquinho pois já tinha outro para a sua posição.
De seguida voltou parece-me ao Belenenses, com o desconhecimento de João Alves e por divergencias julgo que regressa ao Vitória em 96/97.
O Vitória vivia momentos difíceis, o Quinito tinha fugido para o Belém, o Mário Reis, que dizia que não recebia a horas, fugiu depois para o Boavista, para o pé de casa e o Chiquinho acaba também por sair para os Estados Unidos, através de uma informação dada por Carlos Queiroz.
Já estava numa fase final da carreira, mas não estava ainda acabado e o futebol nos EUA é como se sabe, pouco exigente.
O C. Conde gostou do ponto de vista cultural, não gostou do ponto de vista desportivo. Os treinos eram esquisitoa. Os jogos chegavam a ser 3 por semana. Era futebol sem sal. Depois das derrotas, os jogadores mesmo goleados, riam e brincavam (onde é que já se viu?? Smile )... e cabou por regressar ao Vitória, com a mesma boa disposição, o mesmo sentido profissional e com um brinco na orelha esquerda Laughing !!!
Em 1998/99 já não tinha o Yekini, mas tinha o tal Kasumov, o Nando, o tal Toñito (que Sousa e Silva e a sua benemérita Direcção ofereceu ao Sportem de mão beijada), sob o comando do Cardoso.
Em 99/00 esteve com o Vitória na UEFA.

Eis pois, um retrato do Chiquinho Conde, nascido na Beira, cidade pescatória, com algumas semelhanças com a nossa Setúbal.
O primeiro clube onde jogou, o Ferroviário da beira equipava à Vitória, daí ele sentir-se como em casa!
Para terminar, Chiquinho já ultrapassou a barreira dos Quarenta, provavelmente dedicou-se aos investimentos em Moçambique e a terminar a sua Formação Académica, ele que tinha como ambição ser um dia Ministro dos desportos do seu país.

A vida dá muitas voltas e quem sabe se um dia não regressa a Setúbal, para bebermos a tal fresquinha? Heim?

 


Carlos Relvas e ...

O Vitória, é tudo o que o envolve.
Desde os dirigentes aos jogadores, dos funcionários aos seccionistas, dos sócios aos simpatizantes, todos merecem o seu destaque.
Por isso, agora vou falar de um funcionário carismático do nosso Vitória e de um sócio do Vitória.

O Estádio hoje em dia, é uma porta aberta, é um atalho para quem circula a pé, entre o Parque do Bonfim e o Liceu. Se um dia houver uma interrupção nas estradas circundantes ao Estádio, provavelmente será possível passar de carro por dentro das instalações do estádio.
Em tempos construíu-se um muro idiota, que impedia a passagem a pé de quem circulava dentro das suas instalações.
Parece-me que nem tanto ao mar, nem tanto à terra, se calhar a solução ideal estava no meio termo, mas no nosso clube já se viu de tudo... e tudo são posições e decisões que vão ao extremo...

Nos meus tempos de adolescente, lembra-me que depois dos treinos das camadas jovens, à noite no campo pelado, com uma luz fraquíssima, os portões de estádio eram fechados e mesmo assim só havia uma entrada junto ao Maracanazinho.
Haviam uns cães ameaçadores, que não davam grandes veleidades a quem pensava entrar, mesmo que se tratasse de alguém que viesse com boas intenções.

De seguida passo a transcrever do "O VITÓRIA" de Nov/1989 um excerto de um texto a propósito do 79º. aniversário do VFC:
"... pois foi isto que alguém (?!) pôs em dúvida nos finais de 1974 querendo impôr a realização de um referendo no nosso concelho de Setúbal para se decidir se o Estádio do Bonfim - o nosso Estádio - continuaria na posse do Vitória ou passaria a ser municipal. Como se as gentes setubalenses algumas vez consentissem essa afronta, esse plágio.
A isso se opuseram todos os vitorianos com entusiasmo e revolta; a isso se opuseram os dirigentes de então nas diversas reuniões efectuadas na Sede do Clube; a isso se opuseram os vitorianos participantes na reunião camarária realizada no Pavilhão do Clube naval Setubalense tendente a auscultar a opinião dos setubalenses; a isso se opuseram os vitorianos numa celebérrima Assembleia Geral Extraordinária efectuada no Salão de Festas do Inatel que foi pequeno para albergar tanto entusiasmo, tanta revolta, tanta afronta, tanto amor ao clube..."
(Eu era miúdo, mas estava lá, lembro.me muito bem disso. O Inatel estava à cunha, o Palácio Salema, bem eu era gaginho e fiquei nas escadas, já não subia nem descia ninguém. Quem chegou mais tarde ficava ali mesmo nas escadas, ou ficava na rua, a ouvir a confusão...)

Atenção, que a ideia, não é ferir susceptibilidades politícas, mas tão só relatar o que se passou, e a esse propósito, podem perguntar, mas que relação tem isso com o tal funcionário do Vitória?
Já vão ver!
Na edição seguinte de "O Vitória" a nº. 66, (que apresenta na capa uma maquete, daquilo que se pensava que em pouco tempo seria o Complexo Desportivo do Vitória, em Vale de Cobro), tem um pequeno artigo que diz assim:
"CARLOS RELVA - UM HERÓI DO VITÓRIA!
Vivia-se o tempo do PREC de 1975 (período revolucionário em curso).
Dando o corpo à violência política de então, ele evitou que os comunistas tomassem o Estádio do Bonfim.
O Desporto continuou independente da Política..."

Carlos Relvas, vivia parece-me se não estou enganado dentro do Estádio.
Era uma figura que metia realmente respeito. Nunca mostrava os dentes a ninguém, excepto aos jogadores e aos dirigentes.
Era o encarregado das instalações e principalmente a relva estava sob a sua alçada.
Segundo consta aquando das confusões políticas, terá dito qualquer coisa como:
- Eles que venham, que eu solto-lhes os cães!!!

Fernando Oliveira teve o bom hábito de enquanto Presidente da Direcção, reconhecer os bons serviços prestados por muitos servidores do Vitória e Carlos Relvas, assim como por exemplo o roupeiro Joaquim Maria (que vivia junto à Igreja do Bonfim, dentro do recinto, naquela pequena casa com quintal e horta) foram homenageados, vendo o seu trabalho reconhecido!


Foi num Domingo de Inverno, frio, mas em Setúbal estava um bonito dia de sol.
A minha familia foi para a quinta de S.Paulo, que nesse tempo era bem mais agradável, que hoje.
Os meus pais, a minha avó, os meus primos, uma bola, eu e o meu pequeno rádio.
À hora do relato do Vitória, eu e o rádio abalamos para o mato sózinhos os dois. Enquanto o Vitória jogava não havia mais nada para ninguém.

Fui à procura da data certa e da ficha do jogo.
Era um Porto - Vitória, nas Antas.
Nesse tempo o Vitória era quase sempre favorito. Uns anos antes esmagara o Porto no Bonfim por 5 secas.

No dia 16/12/1973, as equipas jogaram:
FCP (treinado por Béla Gutmann) :
Tibi; Rodolfo, Ronaldo, Rolando, Guedes;
Pavão (Vieira Nunes(13)), Marco Aurélio, Bené;
Oliveira, Abel, Nóbrega

VFC (treinado por J. Maria Pedroto)
Joaquim Torres; Rebelo, Carlos Cardoso, José Mendes, José Lino;
Octávio, Matine (Vicente(60)), José Maria;
Câmpora (José Torres (46)), Duda, Jacinto João

Nesse dia não chorei por o Vitória ter perdido, mas fiquei confuso, triste, e lembro-me que dormi mal.
Nesse jogo morreu em campo um jogador do Porto, chamado Fernando Pascoal das Neves (Pavão). Era um grande jogador.
Decorria o minuto 13, da jornada 13, quando depois de ter feito um passe para Oliveira caiu desamparado no relvado.
Soube-se depois que mal caiu ficou em coma.
Na altura o jogo é interrompido e o jogador socorrido e transportado ao Hospital de S. João.
Ao intervalo, falava-se no relato que teria cabeceado uma bola com violência ao mesmo tempo que se falava em possível congestão...

Soube-se depois que nessa altura já o jogador do Porto estaria morto, mas que não se quis divulgar aos jogadores e público, para que o jogo pudesse decorrer, para mais o Porto ganhava já por 2-0 (foi o resultado final).
Haviam supletes do Porto que já sabiam, mas foram obrigados a manter a boca fechada.

Mal o jogo terminou, todo o País soube.
O Porto havia ganho a um adversário de luxo, a um dos mais sérios candidatos à conquista do Campeonato 1973/74, mas não festejou.
Os jogadores do Porto e do Vitória, sairam juntos a chorar, assim como o público.

Eu não chorei fiquei antes triste e confuso... mas como é possível morrer assim?... estas coisas marcam uma criança de 12 anos.


O futebol português dos anos 60 e 70 era ao contrário de hoje, dominado pelos clubes do sul. O nº. de equipas do nosso campeonato a Sul era muito superior relativamente às do Norte.
Ora vejamos:

ZONA NORTE: FCPorto; V.Guimarães; Sp.Braga; Boavista; Tirsense (pontualmente)

ZONA CENTRO : Académica; U.Tomar (pontualmente)

ZONA SUL :
Lisboa = Benfica; Sporting; Belenenses; Atlético; Oriental (pontualmente)
Setúbal = Vitória; CUF; Barreirense; D.Montijo (pontualmente) (o Amora foi nos anos 80)
Alentejo = Lusitano Évora
Algarve = Farense e/ou Portimonense; Olhanense (pontualmente)

ILHAS = 0 (o Marítimo só a partir dos anos 80)


Que saudades de ler o Diário Popular, o jornal que se lia lá em minha casa.
Tinha sempre na página de desporto um destaque ao nosso Vitória.
No final dos anos 60, este jornal todas as 6as. feiras, salvo erro, descrevia as receitas de bilheteira brutas dos clubes da 1ª. Divisão.
O Vitória também aí, andava entre os primeiros, a pisar os calcanhares dos crónicos.

O Vitória estagiava no Hotel Esperança, o único que havia em Setúbal.
Quando se deslocava ao Norte viajava habitualmente de comboio.

A RTP antes dos jogos europeus, fazia assiduamente entrevistas à equipa e ao treinador.
Lá apareciam os fatos de treino com a palavra "V I T Ó R I A" em tamanho grande.
Os jogos do Vitória na Europa davam quase sempre em directo, à última da hora, a seguir à publicidade da pasta Medicinal Couto, lá aparecia o simbolo e música da Eurovisão e a seguir o Directo do Bonfim.
Que saudades de ver o Vitória a jogar mesmo que fosse a preto e branco e não ao vivo...
Que saudades de ouvir falar bem do Vitória...
Que saudades daqueles 9-0 ao Barreirense, com o Bento na baliza...

... mas dificuldades sempre as houve e nos anos 80 Jorge Plácido e companhia, fizeram a preparação da pré-época no Bonfim, em S.Paulo e principalmente no Parque do Bonfim. As sapatilhas usadas eram tão simples que provavelmente ficaram com os pés em sangue no primeiro dia, álguém se lembra ou quer comentar?...


Francisco Nascimento ou simplesmente Xico Nascimento, foi provavelmente o mais carismático Director para o futebol do VFC.
Era a imagem mais fiel da mística do Vitória!
Contam os mais velhos que era de uma dedicação notável. Ainda nos tempos da carolice pura, era um "Puro sangue Vitoriano", uma raça já extinta nestes tempos modernos.
Este homem espevitava, incentivava, motivava, moralizava a equipa. Tinha uma relação impar com os jogadores e técnicos. A sua "palavra" de ordem sempre que a equipa entrava em campo nos confrontos mais difíceis e decisivos era:
- VAMOS A ELES!!!

Depois dele, com quem adquiriu tarimba, bebendo conhecimentos apareceu Rui Salas, que se destacou principalmente nos mandatos de Fernando Oliveira, Luís Nunes (que foi um grande Presidente do Vitória) e Fernando Pedrosa.

Mais tarde, que me lembre, a um nível já diferente, pois era profissional do clube, entrou como Director Desportivo, Jorge Pereira, que tinha trabalhado com Quinito no Sp. Espinho.
Este homem absorveu muito bem o espírito do clube, tendo-se integrado bem.
Fez um bom trabalho no Vitória!


O Vitória perdeu campeonatos e pelo menos uma Taça no passado provavelmente, não porque fosse mais ingénuo que outros, mas talvez porque não tinha uma teia de influências tão determinada e influente como os grandes de Lisboa.

Em 1953-54, O Vitória foi à final da Taça com o SCP. O resultado final foi um 2-3. O Sporting acabou por ganhar já perto do final, num lance precedido de claro fora de jogo.
Segundo parece na época o regulamento obrigava a novo jogo, não havia portanto lugar a prolongamento.
O Sporting partia no dia seguinte para uma digressão e por isso era de todo conveniente que ficasse logo ali tudo resolvido e de preferência a seu favor.
O Sporting festejou a dobradinha, com batota, mas os Vitorianos e os Setubalenses em geral logo trataram de reparar internamente aquilo que consideraram ser uma enorme injustiça e trataram de fazer uma recolha de fundos para compra e oferta à equipa e ao clube de uma taça semelhante à original, mas num formato maior, a que deram o nome de Taça Recompensa.
Nessa final pontificavam jogadores como:
Batista (um velhote já falecido, mas que alguns recordarão, tinha uma papelaria na Rua Antão Girão), Jacinto, Fininho, Emídio Graça, Soares, Mendonça, Pinto de Almeida (Cap), Fernandes...

Mas como dizia em cima, o Vitória (ou melhor, algumas pessoas que o dirigiram) certamente também terão feito, ou tentado fazer algo para mover influências.
É a lei da vida, como diz um velho amigo meu:
- Quem não tem um "amigo" morre na prisão...

... pensei se havia de escrever, e resolvi fazê-lo... sem nomes, sem protagonistas...
Num certo jogo com o Sporting, aqui no Bonfim, alguém na bancada disse:
- com este árbitro (um alentejano muito conhecido na época) ninguém nos ganha! (eu sorri porque tinha pensado nisso precisamente).
Acontece que na época seguinte em Alvalade numa eliminatória (meias ou quartos) passou-se precisamente o contrário. Perdemos 1-2 e fomos claramente roubados ao não ser assinalado um penalty do tamanho do Mundo já perto do fim.

Lembram-se certamente do apagão no Bonfim? Foi esquisito aquele apagão.
Foi propositado? Se foi, não pegou!

Numa final de manhã no Bonfim, no campo pelado de treino depois de um jogo de juvenis, atrás da baliza do lado do pavilhão um diálogo a dois quase que entre dentes:
- Está tudo sob controle para logo................
- ..............
(Infelizmente (ou não) ao fim da tarde veio a verificar-se que afinal não estava tudo sob controle e o Vitória desceu de Divisão nesse jogo)

De qualquer modo se fosse possível fazer uma estatística, o Vitória ficava de certeza absoluta com grande prejuízo...


A equipa do Vitória na época de 1978/79:

GR = Silvino, Avelino;
DEF = Rebelo, Martin, Chico Silva, José Mendes, Caíca, Sobrinho
MED = Mário Ventura, Narciso, Libânio, Formosinho, Cabumba
AVA = Pedrinho, V. Madeira, V.Batista, Palhares

Era uma boa equipa esta.
Os veteranos eram o Rebelo, José Mendes e V.Batista.

Um dia ao assistir a um treino nesta época assisti a uma cena caricata, onde estava envolvido o Vitor Batista, não me recordo é do outro interveniente.
Passo a contar.
Era habitual alguns futebolistas levarem os filhos para assistirem ao treino.
As crianças normalmente exercitavam-se atrás da baliza norte.
O V. Batista resolveu num momento de intervalo do treino chamar um dos miúdos, por sinal bem pequenito, não devia ter mais de 2 ou 3 anos.
Trata de colocar o miúdo na baliza e de ir rematando. De repente começa a fazer autenticos disparos à figura que por sorte não atingiram o puto, que se mantinha corajosamente no seu posto de GR.
Quando os outros se aperceberam houve confusão à seria entre o Vítor e o pai do puto. O V. Batista já começava a apresentar sinais de forte degradação física e principalmente mental.


Nos anos 50 Setúbal tinha uma população estimada em 30000 habitantes, hoje anda na ordem dos 120000.
Nos anos 50 chegavam-se a juntar 10000 apoiantes de uma forma espontanea (oitavo exército) mesmo nos jogos fora.
Hoje em dia para reunir 5000 em casa é o cabo dos infernos.
A mística do Vitória, não é mais a mesma de outros tempos.
Setúbal dos anos 50 era a sua baixa comercial e os seus bairros mais antigos, Troino, Fonte Nova, Palhavã, São Domingos, Bº. Conceição, Areias e Santos Nicolau.
Montalvão, Rio da Figueira e Vanicelos por exemplo eram quintas.
Os agentes económicos geradores de desenvolvimento nos anos 50 e 60 eram essencialmente duas Empresas de Industrias "pesadas" Sapec e Secil, as médias e pequenas empresas conserveiras, o Comércio, a pesca, as empresas relacionadas com o cais comercial, agentes de navegação, operadoras portuárias, despachantes oficiais, estiva e descargas marítimas e uma pequena parcela sem expressão que se dedicava à agricultura.
No inicio dos anos 70 o turismo deu um ar da sua graça com a Torralta em Tróia (ai que saudades das belas Suecas que nos visitavam aos milhares) e com os estaleiros navais da Setenave, mas sem benefícios para o Vitória que iniciou precisamente o seu processo de declinio após a Revolução de Abril 1974


Se a minha fonte de consulta estiver correcta, Santana foi o trigéssimo sétimo presidente da bonita história do Vitória Futebol Clube.
Antes dele tivemos, como se sabe Chumbita Nunes, M. Jorge Goes, Sousa e Silva, Justo Tomás, Manuel Aurélio, Fernando Pedrosa, Fernando Oliveira, Silvério Jones, Luís Nunes, Henrique Soudo, Sérgio Pintado, Xavier de Lima, Aníbal Pescadinha... não necessáriamente por esta ordem...

De alguns praticamente só me lembro dos nomes, pois era muito miúdo.
Vou fazer uma pequena apreciação, ou antes alguns pequenos comentários de opinião à personalidade, trabalho, virtudes e defeitos de alguns.
Pois bem Luís Nunes, era um sujeito aparentemente sizudo, mas deixou obra feita (o pavilhão foi a principal), tinha uma boa relação com a equipa de futebol.
Fernando Oliveira, antigo futebolista da CUF, e antigo treinador adjunto do sporting, empresário conhecido na margem sul, foi empurrado para a Presidência do Vitória, após uma descida de divisão (a 1ª. depois de muitos anos) na Primavera de 1986.
A contratação de jogadores, foi nos primeiros 2 anos dos seus mandatos, sempre sob a sua batuta.
Era um sujeito extremamente ambicioso, construiu o bingo em 3 meses, fechou os camarotes nascentes e fechou vários ginásios para as modalidades amadoras. Adquiriu alguns novos equipamentos para o Posto Médico e comprou o autocarro Volvo (o que ainda hoje transporta a equipa, e que na sua 1ª. viagem, mesmo sob o baptismo do Bispo de Setúbal, avariou a caminho de Guimarães, fazendo com que a equipa chegasse em cima da hora do jogo).
Construiu grandes equipas, grandes jogadores, treinadores com nome na Praça (José Romão e Quinito), mas neste particular, sem resultados.
O Vitória nunca sob o seu comando conseguiu atingir uma final da Taça ou uma Taça UEFA.
No ano do Quinito a equipa desceu de divisão, tendo no inicio da época sido discutido a pedido dos jogadores, o prémio a atribuir caso fossem Campeões Nacionais. Lembro-me que O Vitória, o Sporting e o Guimarães discutiam a compra do Fernando Gomes, que estava incompabilizado com o Octávio Machado no Porto.
Fernando Oliveira foi que me lembre o Presidente que conseguiu a melhor relação de empatia com os sócios, pese alguns dissabores, como depois de um jogo perdido com o Belenenses, em que o vi no camarote a chorar compulsivamente, depois de uma série de "mimos" lançados a partir da bancada.
A sua desmesurada ambição provavelmente levou-o a determinadas linhas de conduta e a gastos excessivos para as possibilidades do Vitória.
Mas o que é facto é que demonstrou uma dedicação ao clube assinalável.
A maior transferência de sempre na história do Vitória foi na sua gestão a venda do Hernâni ao Benfica.
E mais, aí daquele que se colocasse na frente do Vitória, fosse jornalista, presidente adversário, liga, arbitro ou jogador do Vitória.
Quando as coisas corriam mal no relvado era vê-lo descer ao balneário e havia "môlho".
Pediu ajudas à banca, mas o que é facto é que não vendeu 1 cm2 de terreno. Outro facto curioso é que durante 4 anos não aumentou 1 centavo as cotas ou os bilhetes suplementares aos sócios, que para ele eram os melhores do mundo.
Quando saiu, foi forçado por divergências com Fernando Pedrosa, a quem chamou de "Iluminado", foi aplaudido de pé por cerca de 3000 sócios no Antoine Velge e com reportagem da RTP.
Para mim foi de longe o melhor Presidente do Vitória da "Era Moderna".
Seguiu-se-lhe julgo que F.Pedrosa, através de nova Direcção ou de uma Comissão Administrativa, já não me recordo, com um Cheque passado por Xavier de Lima no valor de 100.000 contos.
Depois aparece Manuel Aurélio, e começa-se a vender Património, mas nem por isso se poupa como devia. Tudo servia para gastar dinheiro e dar nas vistas. Para fazer figura de Presidente rico em clube rico, digo eu.
Depois a parece o amigo Justo, apoiado pelo treinador Quinito, que acaba por fugir para o Belém.
O Tio Justo ganha as eleições ao Sr. Josué (que tinha já o Goes na sombra) A seguir ao amigo Quinas o Tio Justo trás os espanhóis, o grande treinador Barrios, o Carlos Gomez (grande GR) Very Happy e um defesa esq de Grande categoria Laughing
Vende-se mais uma "teca" de terreno, que aquilo estava mal e a seguir não sei bem como engatam o Comandante, que navegava por outras águas que não o Vitória e muito menos o futebol.
Sousa e Silva nunca gostou de futebol. Na sua juventude, enquanto os rapazes da sua idade iam aos Arcos ver o Vitória ele refugiava-se em casa nos seus livros de estudo. O futebol e o Vitória decididamente não
faziam parte dos seus interesses. Muitos anos depois aparece a navegar em águas para as quais não tinha vocação e conhecimentos e é claro fez asneira. O Futebol tem uma cultura muito própria, não é como gerir o Clube Setubalense, a Academia ou o Coral. É preciso saber lidar com a mafia nele instalada. O amigo Paco, e mais os direitos de imagem dos Kassomov´s e outros amigos do alheio chamaram-lhe um figo maduro.
Jorge de Goes foi o senhor que se seguiu e que desilusão meus amigos, e nem sequer falo da Pluripar, nem do Vale da Rosa, mas apenas da sua gestão, que me pareceu desastrosa. Orçamentos elevadíssimos, (ainda gostava de saber alguns dos custos praticados em contratos com jogadores e treinadores).
Teve um grande mestre Fernando Oliveira, mas não foi um bom aluno, visto que não tirou proveito do Estágio que fez nas suas Direcções.
Quem via o Goes com aquele ar decidido e todo desenvolto, antes de atingir o poleiro, envolto em dossiers em pleno Luisa Todi a criticar tudo e todos, com a conversa da tanga e depois já como Predidente da Direcção ouvir as suas palavras apaziguadoras relativas às gestões anteriores pode tirar as conclusões que eu tiro, e sem mais dar a cara...
... coisa que Chumbita fez e continua a fazer, mesmo com o seu jogo de cintura, como alguém um dia disse.
Eu, de Chumbita Nunes, não esperava nada de bom e afinal enganei-me, foi o melhor Presidente nas escolhas dos treinadores e desportivamente deixou o melhor palmarés após 1974.
O último Presidente, arq. Santana, de futebol, também percebia zero, foi mal secundado, daí os resultados desportivos. Financeiramente dificilmente poderia ir mais além...


Bem vamos lá então escrever qualquer coisita sobre o Rashidi Yékini.
Nasceu em 23 Outubro 1963, em Kaduma, cidade do interior da Nigéria.
Fernando Oliveira considerou que tinha as características desejadas de ponta de lança ideal e que era o tipo de futeblista que o Vitória procurava há muitos anos.
Chegou ao VFC em Agosto de 1990, proveniente do África Sports d'Abidjan, da Costa do Marfim, onde jogava à 3 anos.
Antes de chegar ao Vitória nunca tinha saido de África, no entanto desde logo sentiu-se como que em casa. Gostou do Clube e da Cidade.
Media 1,86 de altura (o mais alto dessa equipa), calçava 43 e pesava 79 kg.
Era solteiro, mas sempre teve muitas mulheres Laughing e era da religião muçulmana.
Na época 1987/88 tinha marcado 23 golos, na seguinte 25. Era internacional pale Nigéria, e o seu melhor marcador, assim como nos clubes onde actuou.
O Vitória nos tempos da contratacção do Yekini, tinha um relações públicas, chamado Ilídio Gomes (ex emigrante setubalense no Canadá), de grande importancia na mediação e na adaptação do jogador ao Vitória e à cidade, até porque o Yékini só falava Inglês e o Francês (usado na Costa do Marfim). O empresário responsavel pelo negócio da transferência foi Lucídio Ribeiro.
O Vitória nesse tempo estava em franca evolução, contratou 2 assistentes, por sinal bem giras, uma loura outra morena, que usavam uns bonitos fatos verdes, que imediatamente fascinaram o nosso Rashidi
e que certamente facilitaram também à sua adaptação.
Aliás, conta-se que mal chegou tratou de ligar ao seu anterior presidente, com quem gozava de boa relação, a pedir que este lhe enviasse uma mulher Wink .
Se bem me lembro as mulheres não chegavam e ele começou a desesperar, desertou e vai daí abalou em direcção a África para satisfazer as suas necessidades. Afinal nunca tinha saido de África e para os africanos a Europa é como eles dizem terrivelmente pequena e apertada.
Em Outubro de 1990 o Vitória estava disposto a processar Yékini.
O Vitória tinha pago bem pela sua contratacção, pagava um bom ordenado, arranjara-lhe um bom apartamento, mais tarde comprou-lhe um bom carro, e ele fugiu para os braços das suas mulheres.
O Vitória chegou a equacionar a aquisição de outro jogador para o seu lugar, que foi Jugoslavo, também com 1,86 estatura, jogador indicado por Radisic e que veio à experiencia. Este acabou por não ficar. Quem acabou por chegar, mais "leve" Razz e bem disposto foi o amigo Yekini, que fez a sua estreia com uma derrota no Bonfim contra o Guimarães.
O Vitória perdeu 2-3,marcaram pelo Vitória Mladenov e Yekini, de cabeça, que não era o seu ponto forte.
Nesta época as coisas correram bem mal, descemos de divisão.
Começámos a época com José Romão até ao Natal, depois com Quinito.
O Plantel era o seguinte:
Jorge Martins, Rui Correia, Crisanto, Sobrinho, Jorge Ferreira, Dito, Figueiredo, Quim, Nunes, Hélio, Jaime Pacheco, Diamantino, Maside, Amâncio, Gil, Makukula, Mladenov, Yekini, Serra, Nando, Aparício, Beto.
Foi esta a equipa que discutiu com a Direcção os Prémios em caso de serem campeões nacionais e que provocou a ira que se conhece a Fernando Oliveira quando teve os resultados que teve.
(Quinito já tinha enganado o Pinto da Costa uns anos antes no Porto, quando ia afundando a equipa se não é despedido a tempo, acabou por afundar o Vitória de Fernando Oliveira. Acho que a partir daí o Fernando Oliveira nunca mais o pode ver à frente).
Muitos lembrar-se-ão certamente do Dito ter posto mão na bola (propositada?) num lance em que estava à vontade, dentro da nossa área, no Restelo num jogo decisivo para nós. Esse penalty atirou-nos para a segunda.
Muito se falou a esse propósito. Esse moço se não saisse pelos seus pés, nunca mais vestia a nossa camisola, porque os sócios não deixavam.

a conversa, as palavras são como as cerejas, e um "home" perde-se na palheta.
Só para acrescentar que o Yekini cada vez que ia à Selecção do seu País, Taça das Nações Africanas, esquecia-se de regressar. Ficava por lá sempre mais uns tempos na conquista. Mulheres, mulheres, mulheres eram o seu fraco   pelo menos tinha bom gosto
Wink


Para todos os que gostam de andebol está na hora de falar um pouco da modalidade.
A atenção vai para o melhor estrangeiro de sempre do andebol do Vitória.
Chamava-se Robert Wasilewski, chegado a Setúbal no final do verão quente de 1988, já lá vão quase 19 anos, como o tempo passa depressa Surprised !!!
O Vasil como era conhecido por cá, tinha 30 anos quando chegou, e trazia como cartaz as 58 internacionalizações pela Polónia, que na época era uma Selecção das melhores do Mundo, discutindo os primeiros lugares com outras potencias de leste, da escandinávia, Alemanha e da nossa vizinha Espanha.
Durante os cerca de 2 anos que esteve entre nós foi chamado à sua selecção, mas conseguiu que essa participaçãp fosse reduzida apenas aos jogos mais difíceis, por respeito ao Vitória.
Era um guarda-redes de enormes credenciais e de uma humildade e simplicidade incríveis. No inicio Vasil teve alguns problemas de integração, até porque chegou sózinho, mas rapidamente se ambientou ao clube e à cidade, até porque a mulher e os filhos não tardaram.
Conseguiu uma relação de empatia, com os colegas, treinadores e funcionários e seccionistas, tal como aconteceu com o público e Setubalenses em geral extraordinária.
Foi muitas noites o abono de familia do Vitória, numa altura em que o nosso clube lutava pelos primeiros 3 lugares.
Nessas equipas do Vitória saltava à vista a vitalidade, espírito de equipa e amizade entre todos os jogadores.
A relação Vasil / Charneca (guarda-redes nessas 2 épocas "despromovido" a suplente) era fantástica. O Charneca conseguia ficar mais empolgado no banco, com as defesas do seu colega de posto, que o próprio público. Charneca parecia um gajinho a vibrar, ficava doido, quando o jogo era interrompido entrava que nem um louco em campo para abraçar o seu companheiro, que sempre que o Vitória estava a ganhar saía e obrigava o Charneca a entrar. Este, que também tinha muita classe na baliza, deixava também o gigante gordo imensamente feliz... aquele bigode fino irradiava felicidade com os feitos do seu suplente, que era tratado como seu irmão mais novo...
Vasil era de facto o abono de familia do Vitória!

O Vitória com Wasilezski sofria pouquíssimos golos.
Tenho um registo de um 13-13 contra o ABC em Março/1989.
O VFC alinhou com:
Wasil (Charneca); Jorge Catulo, Guerreiro, Rui Carriço, José Rosado; Obradovic, Morais, João Lopes, Paulo Salgado, Armindo, Miguel Galamba.

Lembro-me muito bem de um VFC 11-SLB 11. Ao intervalo o Vitória perdia 1-10, tendo o resultado da 2ª. parte sido igual, mas a favor do Vitória.
Nunca me lembro de ter visto duas coisas assim num jogo de andebol, em primeiro lugar um resultado tão curto, depois uma exibição de um guarda-redes com aquela qualidade. O Benfica tinha um contra-ataque mortífero e lembro-me que um jogador fantástico: Appelgreen, mas nós tinhamos um guarda-redes que era um gigante, do outro mundo.

Imagine-se 3000 no Antoine Velge, não cabia nem um alfinete. A 300 metros do pavilhão já se ouvia o público.
Era a Catedral do andebol. Os adversários e os árbitros ficavam ofuscados e baralhados...


Já que o andebol teve tão boa aceitação vamos relembrar os principais andebolistas do plantel 1985/86:

GR: Manuel Charneca; João Gonçalves; M. Raposo; Antº. Mendes

1ª. Linha: Carlos Costa; Carlos Silva; Cabé; Guerreiro; Rui Carriço; Pita David; Fernando Mantas; Hélio Silva; João Curto; Zé Rosado(Caracóis).

2ª. Linha: Antº. Cardoso; João Carlos; Raúl Sales; Antº. Amador; Joaquim Pires; Antº. Morais

Treinadores: Manuel Manita; Antº. Santos (Picas)

Esta equipa era "Made in Setúbal".
A tradição do andebol vitoriano acentava desde sempre em jogadores oriundos da cidade e arredores.
Praticamente todos iniciaram a pratica do andebol no Vitória. As excepções eram o Guerreiro, o João Carlos (ambos do Almada) e o Rosado Caracóis, que apesar de ser natural de Setúbal não se iniciou no Vitória.

Nas épocas imediatamente a seguir começaram a chegar mais reforços de qualidade tais como:
Luís Galamba, Paulo Salgado, João Lopes, Jorge Catulo, José Pinho, Wasil e Obradovic (os primeiros estrangeiros a chegar) que rapidamente absorveram a mística do andebol Vitoriano.
Mais tarde, outros nomes foram chegando (sendo alguns provenientes das camadas jovens, outros estrangeiros, ou de outros clubes): Luís Monteiro, Afonso Cabo, José Pires, Andrejz, Fernando Lopes, Eduardo Barros, Alberto Paris, Dogarescu, Trojanowski, Paulo Alberto, Nuno Silva,
Kadar, Pokas, Fanan, Francisco Bacalhau, Sérgio, Pedro Carvalho, João Cruz...

Como Director há no andebol um nome muitos anos ligado à secção, Bernardino Primo.
Como treinador adjunto, Amilcar Correia veio substituir Picas em 1993.


Falemos agora um pouco de basquetebol.
Depois das boas equipas dos anos 50 o Vitória só lá pelos finais dos anos 80, inicios de 90, deu um ar da sua graça.
Jogadores setubelenses, como Paulo Grandela e Paulo Canoa, primeiro, e depois por João Silva, José Fragata, Carlos Freire, Gonçalo Neto, João Coelho, Afonso Filho, Jay Lee, Mário Carvalho e Mike Yoest.
Em 1992/93 o Vitória subiu à 1ª. Divisão, com a equipa acima mencionada. Os jogadores mais em destaque eram:
Mike Yoest, um americano "branco" de excelente nível, o melhor jogador da equipa, o melhor marcador Jay Lee com especial apetencia pelos ressaltos e o base Carlos Freira, excelente nas assistências.

No Voleibol nunca tivemos tanto destaque. Mesmo assim ainda andámos pela 2ª. Divisão, com um grupo totalmente amador, apenas o jogador-treinador, o búlgaro Oleg Georgiev era subsidiado.
Em 91/92 a equipa era constituida pelos seguintes atletas:
Eric Coelho, Fernando Eloi, Georgiev, João Paulo, Carlos Vieira, Rui Batista, Jefferson Serra, Alexandre Areas, J.Luís Palma, Luís Dias, Nilton Esteves, Nuno Pedroso e Quim Mesquita.
Os Directores da secção de Vólei eram Fernando Neves e julgo que Joaquim Costa.


Jorge Jesus foi o último treinador responsável pela aquisição do último bom jogador que faz parte do plantel do Vitória.
Se bem me lembro foi ele que depois de observar jogadores no Brasil, propôs a vinda de Jorginho e também de Hugo Alcantara para o Vitória.

Jorge Jesus era (e é) um trabalhador do futebol, nunca tendo sido entendido como tal por uma larga maioria dos amantes do futebol.
Jorge Jesus, é aquilo a que chamo um "Mourinho dos Pobres", vive o jogo, ama o futebol, tem paixão pelo jogo. Tácticamente é Bom. Sabe observar e ler o jogo como poucos. Está sempre a ver Bola, a ver novos jogadores.
É um Disciplinador. Com ele o trabalho é prioritário, não há hipóteses quanto a indisciplina. "Arreganha" o dente sempre que é preciso.

Quem tem treinadores destes não precisa de Directores, tipo Quinito, sabe fazer bem as duas funções.

Ele, Jorge Jesus, bem merece ser aqui relembrado.
Também José Pedro, que aqui jogou um ano, em grande nível, se tem mostrado um jogador de carácter e de respeito para com o Vitória e a sua massa adepta.

Nesta altura em que ambos, estão a viver momentos felizes noutros emblemas, há que felicitá-los e relembrá-los aquando da sua passagem pelo VITÓRIA.
Quem sabe se um dia não?...


 Oitavo Exército

Afinal o VITÓRIA nasceu em a 10 ou a 20/11/1910?
Parece que não há certezas. O que há são documentos datados de 1922 e 23 com a inscrição da primeira data.
Sem que se saiba porquê foi o dia 20 que acabou por prevalecer.

Setúbal no inicio do século XX começou a ser cobiçada, pelo povo oriundo de outras paragens mais pobres para trabalhar na Industria e no mar.
Começaram a chegar principalmente da Beira Baixa (distrito de Castelo Branco), distrito de Aveiro, do Algarve e bem mais tarde do Alentejo.
Em especial os primeiros três grupos: os beirões, os varinos e os algarvios integraram-se bem na comunidade setubalense, tão bem que mais pareciam realmente setubalenses no modo como defendiam aquela que era agora a sua terra de acolhimento.
Os setubalenses de nascimento e os "novos setubalenses" passaram a formar uma corrente que se uniu em torno e em defesa do seu Vitória.
Toda essa gente laboriosa era como que um exército, daí a designação de oitavo exército.
Quando os clubes de Lisboa vinham cá jogar aos "Arcos" e as coisas corriam menos bem para as nossas cores, principalmente quando se pensava que o árbitro teria tido influência no resultado os animos azedavam e os confrontos sucediam-se.
O público visitante que se deslocava nesses tempos a Setúbal de comboio, logo que os jogos acabavam corriam para a Estação Ferroviária a bom correr e só tinham, descanso quando se apanhavam dentro das carruagens.
Era uma verdadeira multidão popular a que se deu o nome de Oitavo Exército.
Por outro lado, sempre que era o Vitória a jogar fora lá iam as carruagens "à pinha" de setubalenses, muitas vezes até viajavam nos porta-bagagens. Eram autenticas evasões de povo.
O mais abastados seguiam nos seus "calhambeques" nas deslocações mais curtas.
Pobres e ricos unidos em torno do seu Vitória!...

O Vitória era a principal e se calhar a única figura de relevo da cultura e do desporto Setubalense.

Todos aqueles que tudo deram ao Vitória do e no passado, que fizeram o clube evoluir dentro das quatro linhas e fora delas, fruto do seu sentido empreendedor e do que era ser VITÓRIA, se por cá aparececem agora seguramente que lhes daria uma "coisinha má" e certamente fariam a seguinte pergunta:
- Para quê tanto esforço nosso, se estes agora e os outros antes deram cabo daquilo tudo que nós ajudámos a construir???


Em 18 de Abril de 2000 (??), teve lugar no Centro Paroquial da Anunciada, a tal Assembleia Geral que originou tanta discórdia, tanta revolta e arrependimento por parte de muitos sócios do Vitória, mais tarde.
Eu, por indisponibilidade, por estar a trabalhar, não estive lá. Se tivesse lá estado, possivelmente teria também agora arrependido, também talvez tivesse sido enganado no momento de votar, e daí talvez não... era o impulso do momento, o que me fosse dado a observar pelo ambiente, que segundo me contaram não era o mais saudável. Alguns sentiram que podiam ali haver altos interesses, que se podiam sobrepôr aos interesses do "pobre" Vitória.
Algumas pessoas contaram o que sentiram, que o Vitória estava a ser passado para segundo plano. O Vitória não era o mais importante. Muitos perceberam isso na sala, outros com o decorrer dos tempos e em face dos acontecimentos que se foram seguindo. Também nesse aspecto o tempo é bom conselheiro.

Antes dessa Assembleia foram feitas, salvo erro, duas sessões de esclarecimento passando aos sócios a ideia de que o único meio do Vitória poder sobreviver e continuar o seu precurso de vida com boa saúde seria deixar de ter encargos com o Estádio, que passaria a ser Municipal, e que estaria sempre ao dispor do Vitória, o que possibilitaria ao clube deixar de ter despesas de utilização, manutenção e conservação. Seria mesmo assim?...
Nas sessões de esclarecimento foi passada a ideia da necessidade de se perceber que a cidade só poderia crescer para o lado nascente, que era a única solução viável para o Vitória seria construir-se um novo Estádio Municipal no Vale da Rosa, mais pequeno e com toda a comodidade.
Aos mais resistentes, foi lembrado pela Direcção da altura que também já antes se tinha passado dos Arcos, para o Bonfim, como se tivesse alguma coisa a ver...
Houve ali realmente a venda da "banha da cobra" tipo mercado dos ciganos (sem desprimor para estes), projectos ocos, meio à sorte...
Não foram apresentados números palpáveis, nenhum projecto foi apresentado com cabeça, tronco e membros, isto é com análise concreta do que se pretendia e como se pretendia rentabilizar os terrenos do Bonfim após a sua demolição.
Quais realmente os proveitos financeiros então previstos para o Vitória?...
A Direcção dessa época pediu aos sócios um cheque em branco para poder governar os destinos do Vitória, sem lhes dar totais garantias e conhecimento profundo do proposto e estes cairam que nem uns patinhos feios, pois o que lhes foi passado pela Direcção de então mais não foi que ideias soltas, nada mais que isso.

Essa tal Assembleia Geral foi realizada num local diferente do habitual, até aí normalmente ou o Pavilhão Antoine Velge ou o Forum Luísa Todi, num dia de semana, o que parece ter obrigado a que os trabalhos decorressem a um ritmo mais acelerado, dado no dia seguinte ser dia de trabalho.
Nessa Assembleia, onde só deveriam falar os sócios, parece que falou também um Administrador do Banco Portugês de Negócios.
Enfim, é como diz um amigo meu:
"- Não há nada a fazer! Isto é mesmo à Vitória! Não há hipótese!"


Dei comigo a vasculhar os jornais de 30 de Maio de 2005. Esse foi um dia de ressaca, de sorriso de orelha a orelha, de felicidade de todos os que gostam do nosso clube.
O Vitória tinha acabado de conquistar a 3ª. Taça de Portugal.
Espero que os jornais que guardo na integra não desapareçam dos meus arquivos. Em todas as primeiras páginas é só Vitória, com destaque para O Jogo, que tem a 1ª. e a última página, numa só capa gigante.

Os treinadores Couceiro e Rachão tiveram uma importância extraordinária nesse êxito histórico do Enorme VITÓRIA.
Passo a citar as declarações de José Rachão, com uma pontinha de mágua (bem justificada, acho eu (quem não se sente não é filho de boa gente)):
"-Este foi o corolário de uma excelente época, a cereja no topo do bolo. A Vitória é dos jogadores e de um grupo de trabalho que soube ultrapassar todas as dificuldades.
Esta Vitória é também de José Couceiro que está também de Parabéns!...
...Soubemos gerir o campeonato e a Taça com grande coragem e esforço. E contando igualmente com uma equipa técnica determinada, conseguimos a conquista do troféu...
... existia uma geração de Vitorianos que nunca vira o Vitória ganhar no Jamor. Esta é também uma Vitória deles...
... Independentemente do valor do Benfica sempre disse que tinhamos argumentos para trazer a Taça. Foi uma Vitória merecida. A estratégia foi a mais indicada, soubemos gerir as emoções e jogámos com coragem e tranquilidade.
O Vitória e a sua massa associativa estão de parabéns...
... Antes de tirar a carta já me tinham chumbado no exame!...
... Devia ter havido um pouco mais de respeito desde que cheguei. Nesta hora de festejos, por respeito ao clube, não vou falar do meu futuro.
A PARTIR DE AGORA SEREI V I T Ó R I A PARA SEMPRE!
Por esta Taça, por estes adeptos, por tudo o que o VITÓRIA me deu, sou ogrigado a partir de agora, a ser VITORIANO! SEMPRE!
O MEU NOME FICARÁ PARA SEMPRE ligado ao VITÓRIA!"

Como todos se lembrarão foi proposto ao Rachão tomar conta da equipa B, dando o seu lugar ao Norton de Matos.
Claro que ele não poderia aceitar, só um idiota sem um minimo de personalidade o faria.

O José Rachão foi um treinador que sempre me agradou.
Era um sujeito pacato, honesto, trabalhador, inteligente e sensato.
Acho que estava bem para o Vitória. Basta dizer que enquanto jogador era excelente profissional e que enquanto treinador demonstrou ter capacidades mais que suficientes para comandar uma equipa como o Vitória (ainda não está muito velho, apresentando por isso ainda boas faculdades).

A conquista desta Taça de Portugal deixou-me feliz não só por mim, mas se calhar mais pelos Vitorianos mais novos que nunca viram o Vitória fazer nada de jeito, pelos próprios jogadores e pelo Zé Rachão que quando o jogo acabou mais parecia um gajinho grande irradiando alegria nos ombros dos seus jogadores.


A nossa bonita Sala de Troféus tem quase (imagine-se) 20 anos.
Foi inaugurada em 5 de Setembro de 1987.
Tudo começou quando em 1976, numa reunião de sócios com a Direcção da época, estes quiseram saber qual o destino a dar aos caixotes onde estavam guardados os Troféus desde 1971/72.
Nessa época foi resolvido pela Direcção encaixotá-los e depositá-los numa Sala por baixo do Estádio de modo a ganharem espaço para uma Sala de Reuniões.

A tal Direcção de 1976 disse não terem posibilidades financeiras para resolverem esse assunto.
A exemplo do que tinha sucedido para a iluminação foi constituida uma Comissão para levar a efeito a construção da Sala de Troféus.
Juntaram-se alguns nomes, entre eles o grande Xico Nascimento, que entretanto vem a falecer e mais uns quantos nomes, com destaque para os cinco sobreviventes, Josué Monteiro (que era o cabeça de cartaz), Alcides Gomes, Antº. Cordeiro, Ricardo Santos e Vitor Silva.

Foram organizados sorteios, espectáculos diversos, excursões e outros eventos. Pediram-se ajudas e apoios, mas entre contrariedades e problemas diversos, foi possível construir a primeira Sala por um valor superior a 1000 contos, sem que o Vitória gantasse um centavo.
Esta Sala foi inaugurada em 17 Junho de 1979, e era uma menina dos olhos de Josué, Alcides e Cordeiro, únicos sobreviventes da tal Comissão.
Principalmente por eles passavam todos os cuidados na conservação e nos cuidados a ter com os pormenores da sala e na manutenção e limpeza dos troféus.

Em 1986 chegou-se à conclusão que essa Sala era demasiadamente pequena e partiu-se para a sua ampliação para o dobro. Foi preciso derrubar paredes, fazer mudanças estruturais nas salas anexas e recomeçar novo trabalho que ficou concluido no Verão de 1987.

A nossa Sala foi visitada pelos metralhas de Lisboa, que a partir dela tiraram ideias para as suas. Digamos que o Vitória foi em relação as seus Troféus de alguma forma inovador, muito por "culpa" do Enorme Vitoriano Sr. Josué Monteiro.

 


Os confrontos com o Benfica sempre tiveram um sabor especial.
Lembro-me de muitos, mas houve um que nos correu particularmente mal.

O pessoal na secundária tinha algumas disciplinas facultativas, uma delas era jornalismo que era aproveitada para o jornal da escola.
Às tantas foi decidido fazer-se uma entrevista a um jogador do Vitória e a um do Benfica aquando da deslocação destes ao Bonfim.
Decorria a época de 1975-76 (ou a anterior não tenho a certeza).
O grupo de 3 rapazes, onde eu me incluia e de uma rapariga foi ao Bonfim pedir para falar com o jogador escolhido. A escolha recaiu em Rebelo, o grande defesa direito do Vitória e que era já veterano.
Este simpaticamente e com um sorriso de gozo convidou-nos a comparecer para a entrevista uns dias depois numa oficina de carpinteiro, que tinha a meias com outro jogador do Vitória, José Lino, ali para os lados do Hospital.
Lá fomos, com as perguntas anotadas, um bloco de apontamentos e um gravador.
Tratavam-se de jogadores profissionais, mas tinham uma ocupação que lhes possibilitava ocupar o tempo e ir preparando o futuro.
Nesse tempo começava o declinio do Vitória.
Lembra-me de lhe ter perguntado o que precisava o Vitória para poder ser o que tinha sido 3 ou 4 anos antes.
Ele curiosamente respondeu que bastava o Vitória ter um jogador ao nível do Duda, que se tinha transferido um ano antes para o Porto, para continuar a ter uma grande equipa (o mal portanto já era o ponta de lança).
Por outro lado o Rebelo disse-nos cobras e lagartos da profissão de futebolista. Percebia-se que não gostava de ser jogador, queixava-se de ter de correr ao sol ou à chuva, das lesões, da dureza física e psicológica da competição. Estranhamente via-se à distância que estava desencantado e cansado do futebol. O engraçado é que no campo isso, até essa altura, não era perceptível (uns tempos depois talvez, chegou a ser suspenso pelo clube).
(O Rebelo esteve muitos anos sem entrar no Bonfim, por opção sua. Só muito mais tarde o convençeram a fazer uma perninha pelos veteranos. Quando deixou de jogar passou a trabalhar como técnico de Máquinas lavar e equipamentos de frio, até aos dias de hoje.)

Faltava entrevistar um jogador do outro clube. Foi escolhido o Benfica, era o campeão nacional, tinha entre os 4 elementos do grupo de trabalho 2 simpatizantes e vinha cá jogar no próximo domingo.
O lampião escolhido foi o Toni, que era o capitão.
Chegámos 2 horas antes do jogo. O autocarro visitante já lá estava. Fomos bater à porta do balneário visitante. Falámos com alguém que nos disse para esperarmos um pouco. Os jogadores tinham subido ao relvado ainda à paisana.
Passada cerca de meia hora, fizeram-nos entrar no balneário. Os jogadores do Benfica estavam já equipados e a maior parte deles a receberem massagens.
Falámos com o Toni, que foi de uma simpatia extrema, mas que nos explicou que o jogo era muito importante e difícil para eles e que era impossível dar uma entrevista antes do jogo. Depois sim, haveria essa possibilidade. Ele tomaria um duche rápido e estaria ao nosso dispôr. Nesse tempo os futebolistas tinham aquele aspecto pouco apresentável do cabelo e das barbas compridas.
Lembro-me que tinha corrido uns tempos antes um boato(!?) de que o Toni e o Barros (colega de equipa) terem numa farra queimado os seios a uma ******* com um cigarro e de nós depois termos comentado, não pode ser verdade, o gajo tem pinta de ser impecável e educado.

Bom o que é facto é que o jogo nos correu particularmente mal. O Vitória foi esmagado por 4-0, verdade seja dita com a ajuda do árbitro.
O Estádio estava à pinha. O tempo estava chuvoso. O ataque do Benfica avassalador. Tinham o Vítor Batista, que jogava sempre de raiva, contra o Vitória, e molhou o bico, o Moinhos, o Nelinho... e o homem de preto.
Na primeira parte estavamos no peão norte e vimos salvo erro 3 golos do Benfica, que ao intervalo já vencia 3-0. Aos meus olhos foram pelo menos 2 irregulares, um de cabeça do V.Batista apoiado no defesa e um em off-side.
Na 2ª. parte fomos para a central nascente, nesse tempo ainda sem camarotes, e vimos um golo de livre do Toni muito bem marcado, mas na sequência duma falta que não pereceu existir.
O pessoal do Vitória estava como é bom de calcular enervadíssimo. Tudo piorou mesmo, mesmo no final do jogo, quando o nosso Arcanjo, numa bonita jogada, fica isolado na frente do Bento (ou José Henrique) e lhe faz um chapéu perfeito... sabem o que aconteceu?... pois o bom do árbitro resolve vingar os apupos dos vitorianos e antes da bola entrar na baliza dá o jogo por acabado, tirando-lhes o prazer de ao menos atenuar o resultado.
O clima piorou e muito. Bem o que se seguiu impossibilitou qualquer tipo de entrevista. A porta lateral de acesso ao balneário dos visitantes quase foi arrombada. Veio um director do Vitória à porta juntamente com um do Benfica, que teve de fugir a sete pés. Meteu polícia e porrada da forte.
Aquilo esteve mesmo feio.
Os outros ainda tentaram esperar, mas não havia condições. Era impossível. Para mim depois de um 0-4 naquela forma também não, nem que estivessemos no paraiso. Os outros que fizessem o trabalho se quisessem, porque eu tinha o Domingo feito...


Neste jogo com o Braga o Vitória era claramente favorito, mas perdeu porque, segundo dizem os mais velhos, para além de ter actuado com alguma altivez e sobranceria, teve também aqui e ali alguma falta de sorte. De qualquer modo o Braga fez, segundo parece, o suficiente para merecer a Vitória.

O golo foi da autoria de Perrichon, depois do defesa do Vitória (Torpes??) ter permitido a progressão do ponta de lança bracarense, que fez o golo nas barbas do Mourinho.

Quanto ao resumo, praticamente só se vê o jogo ofensivo do Braga (o que é natural tendo em conta a origem do filme), um tanto ao quanto atabalhoado. Em condições normais e habituais o Vitória sairia vencedor. Uns dias antes para o campeonato goleou esse Braga, daí talvez o excesso de confiança.

O jogo disputou-se a 22 Maio 1966 e o VFC alinhou com:
Mourinho; Conceição, Torpes, Leiria, Carriço; Jaime Graça, Augusto; Armando, José Maria, Carlos Manuel e Quim.
O treinador era Fernando Vaz.
Quem ficou com uma valente "neura" por não ter jogado foi o Herculano, que ainda hoje mantem a convicção que era melhor opção que o Torpes e que nunca teria tamanho deslize.

Quanto ao Jota, bem ele só iniciou as participações nas Taças de Portugal no ano seguinte. A tal em que se ganhou à Académica, na final mais longa e disputada de sempre.

Esse jogo disputou-se em 9 Junho 1967, e VFC alinhou com:
Vital; Conceição, Leiria, Herculano, Carriço; Tomé, José Maria; Guerreiro, Vitor Batista, Pedras, JOTA.
O treinador foi também Fernando Vaz.
O resultado final foi de 3-2 para o Vitória.
No final do tempo regulamentar + prolongamento estava empatado a duas bolas. Marcaram pelo Vitória, José Maria e Guerreiro e pela AAC Celestino e Ernesto.
Como os regulamentos impediam e bem a marcação de grandes penalidades ou de 2º. jogo havia que jogar até alguém marcar.
Os jogadores sob calor intenso, estavam em dificuldades, o árbitro, Salvador Garcia de Lisboa, já não podia com uma gata pelo rabo, e incentivava os jogadores de qualquer dos lados a matar o jogo, e o enorme JACINTO JOÃO fez-lhe a vontade ao minuto 144 quando arrancou de um belo remate certeiro.
Foi uma final de loucos diz quem assistiu. Ainda hoje é considerada a melhor e mais emotiva final da história da Taça de Portugal

No ano seguinte já na era Pedroto, o Vitória volta a marcar presença no palco do Jamor e perde com o FCPorto por 1-2.
O favoritismo pendia mais para o lado do Vitória, mas o Porto nesse ano tinha também uma boa equipa.
Pelo VFC jogaram:
Vital; Conceição, Carlos Cardoso, Herculano, Carriço; Tomé, Pedras, José Maria; Guerreiro, Petita, JJ.
Pelo VFC marcou Pedras.
Pelo FCP dois bons jogadores: Valdemar e Nóbrega.
O homem do apito foi o conhecido  Joaquim Campos!!!


- Vizinho posso entrar consigo?
Era assim que os miudos antigamente entravam nos estádios para ver a bola, acompanhados pelos adultos.

Lembro-me de ter convencido o meu pai (que não era sócio) a ir ver um jogo com o Benfica, no inicio dos anos 70 e do bilhete ter custado 32$50 para a Superior. Nesse jogo o Octávio Machado deu tanta, mas tanta porrada no Eusébio que este teve de sair de maca.
É evidente que eu fiquei feliz da vida, porque esse sujeito era mesmo uma seta apontada à baliza do Vitória, que parece-me acabou por perder 1-0.
O Vaz, o nosso guarda-redes, nesse dia engatou, defendeu quase tudo.

Nesse tempo os sócios não pagavam bilhete de sócio, só a quota.
No inicio, havia um só "Dia do Clube", um só jogo, o mais importante da época em que os sócios pagavam bilhete especial e mais uma pequena contribuição que dizia por exemplo: 5 tijolos (5$00), que era uma contribuição para a construção dos ginásios que ficavam por baixo das bancadas do estádio.
O dia do clube aqui no Vitória era sempre com o Benfica ou com o Sporting, mais tarde passou a 2, 3, 4 e 5 Dias de Clube por época.
Só depois passou a adoptar-se o Bilhete Suplementar de Sócio, a exemplo do que acontecia já em todos os clubes.

A nível de equipamentos, o Vitória foi também provavelmente o último ou um dos últimos clubes portugueses da primeira divisão a vestir equipamentos de marca, para grande decepção da malta jovem de então.

(A primeira marca desportiva a ser altamente cobiçada, lembro-me que foi a adidas. A nível de Selecções a Alemanha Ocidental foi a primeira ou uma das primeiras a usar esta marca, que fazia o maior dos sucessos na criançada. Eu uma vez no Ciclo apareci numa aula de ginástica com uns calções pretos, com as três riscas brancas de lado, a imitar a adidas e foi o maior dos sucessos entre a rapariada que julgava tratar-se de equipamento original da Alemanha tal como eu lhes tinha dito.)

Mais tarde, quando dei por mim, já estava a ficar "velho" e eram os da geração anterior à minha a pedir-me a mim:
- Vizinho deixa-me entrar consigo?
Quando ia com a cara do puto dizia-lhe:
- Só entras comigo com a condição de me tratares por tu!
Quando não:
- Tem juízo puto, "faz-te mas é" sócio!

Que maravilha, nada de esperar por computadores idiotas, até que nos resolvam entregar o bilhete... nada de torniquetes... nada de apalpadelas... nada de policias e assistentes que não nos impediam de chamar nomes aos árbitros e aos jogadores...

Os mais velhos certamente que de lembram do Vitória ter tido o Bonfim castigado uns quantos jogos, e de se ter jogado no Alfredo da Silva (campo da CUF) e se ter instalado a vedação a separar as bancadas da pista.

 


Eu na minha infância, morava próximo de Palmela, e era frequente nas férias telefonar para o Vitória para saber se havia treino.
Costumava atender um sujeito nada simpático que me dava as informações, que precisava saber, às vezes ia para o Bonfim e batia com o nariz na porta e os treinos eram sempre à porta aberta, só que não havia treino, mas havia sempre que fazer por ali...

Uma certa noite, o Vitória jogava com a Académica à noite, o que era raro, estavamos nos finais dos anos 70, inicios de 80!
Apanhei o autocarro e no percurso vejo que me esqueci do cartão de sócio. Num ápice olhei ao relógio, fiz contas e vi que se tudo corresse bem tinha ainda tempo de descer no caminho apanhar o outro autocarro com destino a Palmela e voltar a Setúbal.
Foi isso que fiz. Tinha que ser rápido. Chego a casa e os meus pais tinham entretanto saido e eu não tinha chave, nem dinheiro, só tinha mesmo o passe dos autocarros.
Quase chorei de raiva. Pensei, como entro em casa sem chave. Há uma janela que posso partir, mas e depois o meu pai?
Acalmei-me e dei uma volta à casa. A janela da WC pequena estava aberta e pensei que couber é por ali que eu entro.
A janela era alta, fui buscar uma escada e lá fui. Retirei a pequena janela e tipo cobra lá consegui entrar por ali, sem antes deixar de pensar ainda me vou matar quando saltar para a banheira tanto mais que estava escuro.
Lá consegui entrar e encontrar o cartão. Saí por onde entrei. Bem, quanto à janela já não arrisquei montá-la, não havia tempo a perder, escondi-a nos arbustros, ali próximos no jardim, arrumei a escada no sítio e cheguei à paragem ao mesmo tempo do autocarro.

O Vitória deu parece-me 4 secas à Académica. Valeu bem a pena o esforço.
Quando cheguei, pela 1/2 noite, os meus pais perguntaram-me se eu sabia o que se tinha passado com a janela.
Quando lhes contei sorriram e como sempre foram uns descontraidos e sem medo de ladrões tudo acabou em bem. Foi uma noite perfeita!


Um adepto que me lembro de ver na bancada bem puto era o Miguel Reisinho.
Estava sempre acompanhado da sua bandeira verde e branca, das antiguinhas, uns anos depois já era mais castanha e branca que verde e branca (se não estou a fazer confusão).
Aquele puto chamava a atenção era um doente, pelo Vitória, mas era um doente saudável.
Tinha bons modos, não chamava nomes aos jogadores do Vitória, os jogadores do Vitória e os treinadores para ele eram tudo.
Sinceramente eu admirava a paixão daquele puto, sempre a sofrer pelo Vitória.

Lembra-me de um jogo com o Braga em que o nosso treinador era o Manuel Fernandes (no tempo de Fernando Oliveira, em que depois do Vitória ter tido o Inglês, que era maluco, mas não tinha medo dos adversários), o Vitória ter jogado com uma táctica super-defensiva e de eu me ter saltado a tampa, como muita vez me acontece com os treinadores e desatar a chamar nomes ao "Sarilhense" e o "puto" Reisinho continuar a apoiar, sem olhar a tácticas.

O Miguel só olha para a camisola. Tirem-lhe é a Laughing s urnas da frente

(Não leves a mal Miguel! Ainda esta época estavas a apoiar o Vitória e só o Vitória e eu a insultar o CARRDOSE!!! Embarassed )

 


Agora falemos de outros episódios giros passados aqui no Bonfim.
Na época em que o Cadete cá jogou emprestado pelo Sporting, o Vitória perdeu aqui num jogo à noite com o Benfica por 2-3.
Eu estava na central com o meu cunhado, simpatizante do SCP, mas que eu convencera a tornar-se sócio do VFC.
Ele na qualidade de lagarto só podia ser anti-lampião tal como eu.
Às tantas há um lance duvidoso na área do Benfica que aos olhos dos Vitorianos foi em nosso claro prejuízo.
O comentador de rádio Neves de Sousa, entretanto já falecido (?) parece que disse que o lance foi jogado limpo pelo defesa do Benfica.
Alguém na bancada comentou o que ouvira no rádio e a bancada toda voltou-se para o velho jornalista a protestar.
Comportamento gera comportamento e eu que já andava picado com uma bandeira vermelha que teimosamente estava sentada à minha frente, saltou-me a tampa e quando dei por mim estava com a minha cara quase encostada à do jornalista que estava no camarote descoberto.
Quando caí em mim aprestava-me para voltar ao meu lugar, e é golo do Vitória, não sei quem marcou ou como foi o golo, só sei que voltei atrás e lá fui eu chatear outra vez o gajo. Entretanto, reparo numa jornalista a abanar a cabeça em sinal reprovação, aquilo que lhe disse a ela não me lembro ao certo, só sei que no final lhe fiz um convite indecente.
Quando caí em mim, já o jogo decorria de novo, tratei de procurar o meu lugar. O meu cunhado lá estava de pé, sem saber muito bem o que me tinha acontecido. Lembro-me que me disse qualquer coisa como:
- Olha lá pá, estás a fiar-te no meu cabedal ou quê? Vê mas é se tens juízo!

Outro foi no inicio da tomada de posse do Joãozinho Loureiro, no lugar do Papai Valentão no comando do clube de bairro.
Os acontecimentos do Campeonato de Juniores roubado ao Vitória pelo Boavista e pelas nossas Instâncias Desportivas.
Pois o Boavista veio cá jogar e o menino João teve a péssima ideia de ficar instalado no camarote destinado aos visitantes.
Escusado será dizer que foi mal tratado, insultado, injuriado, pela bancada verde e branca. Desde uma luzinha a lazer, a todas a espécie de injurias valia tudo. De certeza que não viu um lance desse jogo, mas aguentou-se bem.
Eu também não vi o jogo, passei uma hora e meia a massacrar o desgraçado.
A polícia apareceu várias vezes para oferecer protecção, mas o gajo recusou sempre.
No anos seguintes foi para o banco suplentes, pudera...
Laughing

 

 


Edmundo Silva foi um bom central do Vitória.
Foi inscrito pela primeira vez no Vitória em 1981-82, nas camadas jovens.
O seu primeiro treinador nos séniores foi, salvo erro, Carlos Cardoso.

Na época 85-86, com 21 anos, fazia parte da selecção de esperanças e foi chamado aos AA, tendo começsdo a impor-se a titular no Vitória merecendo honras de 1ª. página na edição de "O Vitória" nº. 13.
Vou aqui deixar um excerto de perguntas/respostas dessa edição:

- Diz que a época passada a equipa não rendeu o que se esperava. Muita gente atribui ao treinador Manuel Oliveira esse menor rendimento.
Quais para si as principais razões dos problemas da época passda?
- Eu sei que houve problemas a nível da equipa que não rendeu, mas eu estive fora dessa situação. A única coisa que fazia era trabalhar, e só não trabalhei mais devido ao serviço militar e só por isso não consegui corresponder como desejaria. Em relação aos meus colegas não acredito que não quisessem vencer...

- Mas fala-se também que o problema dos atrasos nos pagamentos das luvas e prémios de jogos, causou alguma desmotivação...
- Em relação a isso, a única coisa que posso dizer é que comigo não houve problemas desses, principalmente com respeito a luvas, como tal não poderei responder. Haverá pessoas mais indicadas para falar sobre isso.

- Há já quem diga que o Edmundo não ficará por muito tempo no Vitória, tendo em conta a sua idade e a riqueza do seu futebol. Está nos seus planos a curto prazo a transferência para um dos grandes?
- Nesse caso a minha certeza, é que toda a gente quer ir para um grande. Toda a gente quer sempre mais e melhor e eu não fujo à regra. Porém neste momento o que eu desejo é jogar pelo Vitória todos os fins de semana.
Tenho visto certos casos, de gente nova, que brilha nos clubes mais pequenos, e que quando vão para um grande sentem muitas dificuldades. Por tudo isso ainda não pensei bem, mas era uma coisa que gostaria de tentar, mas há tempo para isso, ainda tenho dois anos de contrato com o Vitória...

- Edmundo, jovem aparentemente calmo e com uma suficiente dose de humildade. Como se define como pessoa?
- Exactamente isso. Uma pessoa calma, humilde, trabalhadora e honesta....

Na edição de "O Vitória" nº. 42 datada de Novembro/1988, Edmundo é chamado novamente A entrevista depois de ter passado 2 anos no Benfica.

- O que sentiste ao regressar ao Vitória?
- Foi um regresso feliz. Eu fiz muita força para que isso acontecesse, porque não me interessava estar no Benfica e não jogar.
O Vitória é um clube em ascenção e com excelentes valores...

O que sentiste após teres estado fora?
- Eu não estive "por fora", estive isso sim "fora". Eu sempre estive identificado com o Vitória, nunca me desliguei e ia sempre acompando a vida do clube.
Claro que vir para cá outra vez, deu-me uma grande alegria até porque agora vim encontrar o que não tinha quando saí, porque o Vitória de Setúbal era totalmente "diferente" daquilo que é agora...

- Tens um trajecto curioso: Vitória - Benfica - Vitória e provavelmente para o ano, uma vez que estás emprestado, Benfica outra vez...
- Bem, o trajecto não é bem esse. Eu comecei no palmelense, depois Comércio e Indústria e só depois o Vitória...

- Quando acabares o futebol, a ideia de seres treinador seduz-te?
- Não, nem por isso. Eu quero uma vida sossegada fora do futebol.
O futebol trás muito stress a quem anda metido nele e como penso que a vida de treinador, nesse sentido é pior que a de jogador, eu não vou enveredar por essa carreira.

- As próximas linhas são tuas, diz o que quiseres...
- ... todos nos têm apoiado, mas eu pedia um pouco mais de apoio, uma vez que nunca serão demais os que aparecem. Seria um grande orgulho ver sempre o estádio com 20.000 pessoas.

(Edmundo continua nos dias de hoje, o mesmo cidadão pacato e humilde que conhecemos enquanto jogador.
Foi o treinador da equipa B, parece que vai ser o futuro treinador de juniores.
Se isso acontecer, devido à sua maneira de ser e estar no futebol, pode ser uma mais valia para os jovens. Esperemos pelos resultados...)

 

 


Texto de Carlos Gil (a parte inicial está no Tópico: "João Bénard da Costa"):

"...
Que Setúbal era um lugar encantador de pouco mais de 30 mil habitantes, uma espécie de bairro antigo de Lisboa, uma Alfama ou Bairro Alto, já Raúl Proença o salientava, em plenos anos vinte, no Guia de Portugal, qiando ainda a iluminação pública era a gás e o mar, segundo o escritor, não tendo o verde do norte, nem o azul cobalto do algarve, era poeira e luz.
Numa curiosa planta da cidade de Setúbal que acompanha o Guia, de Proença, pode ver-se a mancha dos laranjais que cercavam a cidade de ponta a ponta. Começavam logo ali junto à Av. 5 de Outubro, ao Liceu e ao Convento de Jesus.
Foi exactamente esse mar de laranjais que levou Lichnowsky a escrever: "Creio que não há no Mundo porção alguma de terra que tanto abunde em laranjeiras..." Foram-se os laranjais e a cidade encheu-se de caixotes de cimento armado.
Mas uma paixão especial por essas terras sadinas de outros tempos teve-a António Feliciano de Castillo, não lhe poupando elogios, nem resistindo a evocar outros poetas, como ele... o solo providencialmente prendado de tudo, e donde, ainda há dois dias, um insigne poeta dinamarquês, o meu amigo, Andersen, estacionando em Setúbal, depois de percorrida a Europa, me escrevia que tinha finalmente encontrado o Paraíso Terreal!

A Setúbal de hoje é bem diferente, sem no entanto ter perdido muito daquele sabor tranquilo e acolhedor de então. Até aos anos 60 era uma cidade portuária onde a maioria da sua população vivia basicamente do mar. A partir de então, a sua fisionomia urbana transformou-se quase por completo em virtude de uma fonte de industrialização, que contou com a maior parte da mão-de-obra disponível.
Foi a chegada em massa das gentes do Norte (Aveiro) e do Sul (Alentejo), para trabalahr na indústria em desenvolvimento.
O copo de três nas tabernas populares das Fontainhas e Fonte Nova, deu lugar a umas boas doses de whisKy importado e o pequeno comércio começou a enfrenatr a concorrência dos grandes espaços comerciais.
Mas, apesar destas transformações quase radicais verificadas, a verdade é que ainda se mantém muito dessa Setúbal romântica e popular no tipicismo autêntico dos seus bairros de pescadores e no aspecto quase provinciano da sua vivência citadina.

HISTÓRIA. Por um momento de mágica, se recuássemos no tempo, encontrariamos D.Afonso Henriques às portas de um pequeno burgo meio arruinado e despovoado, na margem direita do sado, muito preocupado com a sua reedificação e povoamento, reconhecendo assim a verdadeira importância da pequena Setúbal.
Em 1149, Afonso Henriques dá foral à capital do Sado.
D. Manuel I, mais tarde, concede-lhe segunda carta de foral.
Em 1458, foi do seu porto que saiu a esquadra de D.Afonso V, o Africano, para a conquista da praça marroquina de Álcacer-Ceguer.
Dada a importâcia da Cidade do sado, el-rei D. João II (1481-1495), muitas vezes residiu com a corte em Setúbal, onde tinha casado em 1471, ainda príncipe, com a sua prima D.Leonor.
Setúbal ficou marcada duma forma trágica pelos terramotos de 1531 e 1755.
Em Agosto de 1484, o rei apunhalou em Setúbal D.Diogo, o duque de Viseu, seu primo e cunhado.
No mesmo reinado e também na Capital do Sado foram degolados, D.Fernando de Meneses e D. Pedro de Ataíde.
Em 1580 Portugal perde a independência com a invasão espanhola de Filipe II de Espanha. É no Porto de Setúbal que desembarca a expedição dos castelhanos.
Em 1860 Setúbal é elevada a Cidade pelo Rei D. Pedro V.
As personagens mais famosas nascidos nesta Maravilhosa Cidade do Sado são como se sabe, o poeta Bocage (1765-1805), a famosa cantora, que actuou pelos palcos da Europa, Luísa Todi (1753-1833) e Mousinho de Quevedo, autor de "Afonso, o Africano". "


Esse jogo do Feirense foi na época 1989-90, que nos deixou às portas da Europa.
O Vitória foi-se abaixo no fim do Campeonato, em especial nos meses de Abril e Maio. Foi na época em que o Belenenses nos ganhou duas vezes por 2-0 no Bonfim para o Campeonato e 1/2 finais para a Taça. Foi portanto na épova do apagão no Bonfim, que deu origem à perda por 3-0 na secretaria.

Aproveito para escrever umas linhas a propósito de Jorge Martins (o guarda-redes que Fernando Oliveira foi adquirir ao Belenenses, já com uns belos quilos a mais, e na casa dos trintas para substituir Meszaros). Jorge, como era conhecido na altura em que cá jogou pela primeira vez em 1983-84, tinha um hobbie, criar codernizes, negócio de aves muito em voga na altura, era natural de Alhos Vedros.
Chegou proveniente da reserva do Benfica, onde Bento não lhe deixava espaço e esteve em muito bom nível no Vitória durante 2 anos não dando hipótese nessas épocas ao seu suplente Padrão, outro gordinho.
As suas boas prestações deram no olho e o Belenenses conseguiu contratá-lo conseguindo juntamente com Luís Sobrinho a última Taça de Portugal para os pastéis, e onde ganharam merecido espaço na Selecção de má memória, Saltillo.

Entretanto, como atrás dizia o Vitória "Chefiado" por Fernando Oliveira, acabou por trazê-lo de volta ao Bonfim, juntamente com o Sobrinho e Mladenov.
O problema é que Jorge Martins não era mais o mesmo GR ágil, seguro e confiante que um par de anos antes tinha cá estado.
A gordura certamente que lhe traía os reflexos e o cerebro, e as asneiras foram-se sucedendo. Barracadas, frangos e codornizes eram quase todos os Domingos.

Isto tudo para explicar que a história dos 4-3 com o Feirense teve como protagonista o tal Jorge Martins.
Tinha a bola em seu poder para repôr em jogo. Imaginou que o jogo tinha acabado, que tinha ouvido o árbitro apitar e deixou a bola na relva e um jogador do Feirense empurrou-a para a baliza, fazendo aparentemente o 4-4 de uma forma limpa.
O problema está em que o árbitro apitou falta do jogador do Feirense, que segundo ele tinha feito obstrução ao nosso GR.
O Feirense reclamou o jogo na base das imagens televisivas (erro técnico?? Embarassed ) e o jogo repetiu-se para grande desconforto do Vitória.

O Vitória e a CMS dispôs as camionetas necessárias para os Setubalenses que quisessem assistir ao segundo jogo, o que aconteceu em bom número.
O pior foi que o Vitória fez um golo limpinho como a água, por Aparício, de cabeça, saltou e cabeceou sem se apoiar em ninguém para as redes.
O árbitro desse jogo disse que foi em falta.

Resumindo nessas épocas houve dois jogadores que ajudaram a enterrar o Vitória: Jorge Martins e Dito, o tal da mãozinha de Belém, lembram-se?

Outros jogadores que faziam parte desta equipa:
Rui Correia; Crisanto, Quim, Flávio, Figueirado, Lufemba, Jaime Pacheco, Hélio, Carlos Freitas, Juvenal, Mladenov, Aparício, Makukula.

A título de curiosidade, falou-se do Belenenses, pois nessa época jogavam nesse clube: Edmundo, Jaime e Chiquinho Conde, que pouco depois cá vieram também parar e com bons resultados.

Ainda a propósito da repetição do jogo de V.Feira eis um artigo de Joaquim Campos (antigo árbitro):
"A decisão do C.Justiça FPF ao mandar repetir o jogo Feirense-VFC, referente à 21ª. jornada, cujo resultado final foi de 4-3 favorável aos sadinos, abriu um perigoso precedente , considerando que a indalidação do golo dos feirenses, que daria o empate, teria sido injusta, uma vez que não se teria verificado qualquer falta.
As crónicas, nessa ocasião, eram todas unanimes em considerar a anulação do tento feirense como uma decisão fantasma de Alexandre Morgado. Na realidade, o guardião Setubalense largou a bola para o chão e Joaõ Luís pontapeou-a para a baliza. Jorge Martins argumentou que a partida já tinha terminado, mas, na verdade o árbitro portuense não deu por findo o encontro e marcou uma falta contra os donos do campo que ninguém viu.
A lei V define claramente esta situação ao determinar que das decisões do árbitro questões de facto ocorridas no decurso da partida não há apelo, mesmo que isso tenha reflexos no resultado do encontro.
A surpresa ainda assume maior dimensão quando se fundamenta a decisão nos relatórios das autoridades policiais desprezando as declarações do arbitro, que alega ter existido obstrução, que o levou a invalidar o golo, embora todos considerem que ela não tenha existido...
... na validação ou invalidação dos golos prevalece o parecer do arbitro. A sua determinação é irrevogável, no que diz respeito ao resultado.
Só há motivo para recurso nos casos em que o juiz da partida aplique erradamente a lei, isto é quando comata erros técnicos, como, por ex. , considerar golo na concretização de um 1º.pontapé num livre indirecto..."

 


A um dia do Vitória celebrar o seu 79º. aniversário pensava-se na altura que tinha recebido uma merecida prenda.
É que no dia 19 Novembro 1989, pelas 11:30 H, uma caravana com vários automóveis, onde nem faltava uma enorme bandeira do VFC partiram do Estádio do Bonfim até Vale de Cobro, que estava à espera dos visitantes com as respectivas bandeiras de Portugal, da cidade e do VFC, mas debaixo de chuva intensa.
O local de destino era onde se previa ser erguida a Cidade Desportiva do Vitória, que seria composta por um campo de futebol relvado, um pavilhão gimnodesportivo polivalente de dois recintos, quatro (!!) piscinas, sendo uma delas coberta, quatro courts de ténis, balneários e outras estruturas aos atletas, sócios e público em geral.
A pista de Atletismo previa-se que surgisse mais tarde e noutro local.
O terreno tinha sido oferecido pela CMS e tinha uma área de 36.400 m2, prevendo-se que o investimento tivesse ajuda estatal e podesse atingir um valor para a época de 1 milhão de contos.
O arranque da obra estava previsto para breve iniciando-se pela piscina de aprendizagem e pelo campo relvado.
Esta cerimonia simbólica para além dos testemunhos de alguns dirigentes como Josué Monteiro (??), Nicolau da Claudina, Fernando Oliveiras, José Luís (??), entre outros e Mata Cáceres.
Foi dito qualquer coisa como: "... as obras que se iniciam e se acabam é que fazem respeitar e recordar os homens que as realizam..."
A este Património, caso fosse construído, seria proposto aos sócios o nome de:
"Cidade Desportiva Fernando de Oliveira".

Não sei se já tinha falado nisso aqui antes, mas Fernando Oliveira tinha de factos ideias e não só ideias, tinha projectos que apontavam na dinamização do Vitória, para um futuro mais risonho, enquadrado em projectos de sobrevivência a médio prazo, fazendo com que se tornasse auto-suficiente, sem que fosse necessário esbanjar Património como veio a suceder.
A ideia imediata e que tinha também projecto era na área onde se acabaram por vender os primeiros terrenos para construção de Prédios, construir um Aparthotel, que gerasse receitas para o Vitória e ao mesmo tempo servisse de apoio à equipa e ao próprio clube.

Entretanto, TUDO ficou em "águas de bacalhau", também motivadas por divergências várias, intrigas internas e invejas, como eu costumo dizer, foram minando o terreno, ao ponto de Fernando Oliveira chamar de "Iluminado", ao seu principal opositor Fernando Pedrosa e bater com a porta contra a vontade da maioria dos Sócios.
Isto efectivou-se no Verão de 1991, tendo a direcção de Pedrosa herdado para a sua lista pelo menos as figuras de Josué Monteiro, José Luis Resende, Nicolau da Claudina, Bernardino Primo, que tinham feito parte da anterior Direcção.
Outros nomes da Direcção: Xavier Lima, Ajú Soares, Cristóvão Rodrigues, Mário Picoto, João Gonçalves, Manuel Aurélio, António Portela e Banha Costa.

Fernando Oliveira foi incontestávelmente o Presidente mais popular do Vitória dos últimos anos, pese o facto de inicialmente ter sido visto com alguma desconfiança por alguns, uma vez que estava conectado ao Sporting de Lisboa e por ser nascido no Porto e oriundo profissionalmente do Barreiro.

 


Na já longínqua época de 1977/78 podemos ver assim mto rapidamente o seguinte:

As aquisições foram: Jorge Martins; José Mendes (regressado do SCP); Rachão, Palhares; Libânio; Delfim (que não vingou no futebol profissional tal como sucedeu com Gamboa), V. Madeira.

Juniores promovidos: Silvino; Chico Silva; Gamboa.

Foi a última época de Vaz no VFC que ainda se transferiu na época seguinte para o SCP e ainda foi a tempo de ser campeão nacional.

Rebelo inscrito no Vitória desde 62/63 nunca até aí conheceu outra camisola.
Sabu jogava no VFC desde 69/70 sem interrupções.
Com Narciso aconteceu o mesmo, só que era um ano mais novo e começou um ano antes nas camadas jovens. Saiu directamente do Pátio da antiga Escola Comercial e Industrial de Setúbal (actual Sebastião da Gama) p/ as camadas jovens do VFC.

Dessa equipa iniciaram-se no Vitória (alguns com breve passagem por pequenos clubes da cidade e arredores ou África) os seguintes jogadores:
Silvino; Rebelo; J.Mendes; F.Silva; Sabu; Tomé; Gamboa; Quim; JJ; Formosinho.
Por outros clubes da cidade:
José Lino e Caíca no Comércio e Carlos Gregório (Cabumba) nos Amarelos.
Do Sporting Chegaram nesse ano:
J.Mendes; Palhares e Libanio.
Do Sporting já tinham chegado Vagner em 75/76 e Tomé em 76/77.
Nesse mesmo ano 76/77 deu-se o regresso do nosso Jota que não se deu bem na Portuquesa dos Desportos onde esteve um ano. O Jota tinha chegado ao VFC em 65/66.
V.Madeira chegou a Setúbal em 77/78 com 24 anos proveniente do Desportivo Beja.
José Rachão era o pulmão do Vitória. Esteve cá um ano e veio do Peniche.

O treinador era Fernando Vaz.
De referir que muito embora a equipa fosse de facto boa o Vitória teve a pior classificação desde 1962-63, um 9º. lugar. Em 30 jogos, 8 vitórias, 10 empates, 12 derrotas, 29 golos marcados, 40 sofridos, 26 pontos.
Em 1975/76 teve performance pontual identica mas com melhor diferença de golos.

O pessoal já desesperava por uma nova presença na Final da Taça ou nas Competições Europeias.
Isso veio a acontecer muito mais tarde, quando muitos já pensavam que iam morrer sem ver o seu Vitória nos grandes palcos.

 


Os mais velhos recordam com grande saudade a evolução qualitativa do clube a partir dos anos 60 até meados da decada de 70.

O Setubalense de 5 Março último recorda a propósito do Vítória - Porto que aí vem para a Taça, a época de 1966-67, onde o Vitória venceu na primeira mão por 3-0 no Bonfim, tendo empatado a 4 bolas nas Antas.
Pedras foi o herói dessa eliminatória ao apontar um total de 5 golos!
No jogo do Bonfim foi o autor dos 3 golos.
O Vitória jogou com a seguinte equipa:
Vital; Conceição, Leiria, Herculano, Carriço; Tomé, Zé Maria, Vitor Batista; Guerreiro, Pedras, Jota.
O Porto muito embora estivesse num patamar inferior ao Vitória nessas épocas (meados de 60 a meados de 70) era uma boa equipa, que fez alinhar nesse jogo dos 3-0 uma equipa com nomes conceituados na época, tais como por ex. Américo (GR Internacional), Carlos Manuel, Valdemar, Ernesto, Djalma, Malagueta...

O Vitória foi durante cerca de 15 anos a terceira equipa nacional atrás do Benfica e do Sporting.

Até 1974 os clubes accionavam o Poder de Opção sobre os jogadores, daí que os futebolistas só saissem quando não interessavam ao clube, ou quando havia acordo entre as partes, predominantemente entre clubes para que determinada transferência fosse efectivada.
Jaime Graça saiu para o Benfica em meados dos anos 60 e em troca o Vitória fez um belo negócio, recebeu 650 contos (um dinheirão para a época) e ainda Pedras, Guerreiro e Arcanjo (três atacantes de grande valor, mas que jogavam pouco na Luz). O Benfica ainda suportaria a diferença de ordenados destes jogadores.
Mais tarde aquando da ida de Vítor Batista para a Luz, fez-se um negócio semelhante, com a chegada ao Bonfim de Matine, Praia e José Torres (o bom gigante) e mais umas belas "massas".

Relativamente ao Sporting fez-se negócios semelhantes, com a ida para Alvalade de Fernando Tomé, José Mendes e Vagner Canotilho e a vinda de pelo menos um grande futebolista Figueiredo.
A transferência de Rebelo para os Lagartos falhou.

Para o Porto os primeiros a seguir viagem foram: Octávio Machado, Duda e Joaquim Torres.

 


O Vitória tinha nos seus anos dourados (60 / 70) uma qualidade futebolistica invulgar e ao mesmo tempo um ambiente entre os jogadores de fazer inveja.
Esse era talvez o principal requisito para o sucesso.
Teve, como se sabe, dois treinadores fundamentais na união de grupo, Fernando Vaz e depois Pedroto.
Dizem que ambos, talvez mais o segundo, tinham uma sensibilidade extrema para estimular e fomentar a união do balneário.
O grupo sobrepôs-se sempre ao individual.
Dizem os futebolistas desse tempo que a amizade, o respeito, a disciplina, a ambição e também a enorme qualidade técnica dos jogadores do Vitória quase fizeram com que o clube fosse campeão nacional em 73-74.
Nessa fase o plantel era constituido quase na sua totalidade por jogadores internacionais, onde todos remavam no mesmo sentido.
A competição entre eles era enorme, mas a amizade colectiva sobrepunha-se sempre ao individual. Os suplentes ajudavam sempre os titulares a recomporem-se do esforço dispendido, ajudando na logistica de balneário, por sua vez os que jogavam prestavam incentivo a quem jogava menos. Respirava-se amizade e confiança.
Ao nível do Dirigismo, nem tanto. As dificuldades económicas sempre foram uma constante e muitas vezes pela calada os dirigentes chegavam a desejar a derrota para evitar pagar os prémios.
Há muita gente que pensa que o Vitória foi vitima de uma cilada a José Maria Pedroto, que pode ter afastado irremediavelmente o clube de se ter sagrado campeão nessa época, onde ao fim da 1ª. volta seguia em 1º. lugar isolado.
Também já nesse tempo os Presidentes eram pretagonistas. Já se usavam os clubes para se tornarem conhecidos e fazerem com que as suas empresas se tornassem mais prósperas.
Nessa época de 1973-74 o Vitória tinha a exemplo de muitas outras, os ordenados e prémios em atraso.
O Presidente da Direcção era Xavier de Lima que criou um Regulamento Interno aos futebolistas que os impedia de dar entrevistas e de sair da cidade sem autorização da Direcção.
O treinador que gostava de se manter informado das coisas e que por sua vez gostava ele próprio de coordenar tudo o que dizia respeito aos seus jogadores.
Estalou o verniz e Pedroto acabou por sair.
Aquando da sua saida um episódio bem elucidativo do efeito de união de grupo que conseguiu implantar no Vitória.
Foi despedir-se dos jogadores numa sala existente no estádio e fechou a porta. Xavier de Lima não quis a porta fechada mandando abri-la. Pedroto disse qualquer coisa, como:
- Assim não consigo falar à vontade. Vou para baixo da bancada, quem quiser ouvir o que tenho a dizer que venha, quem não quiser (quem não tiver coragem para vir) não faz mal...
O que aconteceu foi que todos os jogadores perseguiram aquele que tinha sido até ali o seu lider, para ouvir a última palestr, deixando o Presidente em alvoroço e sem que este percebesse muito bem que raio de poder tinha aquele homem na equipa...
Dois dias depois o novo treinador, José Augusto, foi apresentado, o dinheiro apareceu logo de seguida, mas a prestação da equipa não mais foi a mesma. Começou por perder em Alvalade por 2-1 no primeiro jogo da segunda volta do Campeonato e aquela que era a melhor equipa de Portugal nessa época, perdeu o comboio provavelmente pela sede de protagonismo do seu Presidente.

 


Não é demais falar dos anos de ouro do Vitória.
De "Ouro", não pelos troféus conquistados, mas pela qualidade exibicional que apresentava.
As épocas de 71-72, 72-73 e 73-74 foram fantásticas.

A primeira deu um vice-campeonato.
Foram 25 jogos consecutivos sem derrotas.
Perdeu-se o Vitor Batista, mas ganhou-se o José Torres, já veterano, mas que foi ainda Internacional, o Matine e o Praia.
Tinha-se um grupo de jogadores da casa, curiosamente todos os defesas eram das camadas jovens: Rebelo, Cardoso, Correia, J. Mendes e Carriço.
Um meio campo com um pequeno enorme jogador, Octávio, o mágnifico Zé Maria, o Câmpora, um Uruguaio, com pé esquerdo fantástico.
Na frente o Guerreiro, que em campo dava bem uso ao nome e bom cabeceador;o Duda, o ponta de lança padrão, mas não só, um jogador de equipa, o Arcanjo, com uma técnica acima da média e também bom jogo aéreo e o irreverente Jota com o seu futebol macumba....
No Verão de 1972, para finalizar em beleza essa época, o Vitória foi dar show a Angola.
Foi num Torneio, habitual na época, em que participaram também o Porto, Sporting e Belenenses.
O VFC venceu-o por penalties numa finalissima disputada com o FCP.

Em 1972-73 mais um grande Campeonato e uma presença na Final da Taça, depois de eliminar nas "meias" também o Porto, com 1-1 fora e uma Vitória no Bonfim por 1-0.
Lá mais atrás (pag. 3) já se falou desta final, onde o VFC se apresentou desfalcado de Cardoso (castigado) e Octávio (lesionado), mas que teve também outro contratempo logo aos 5 min. de jogo, com a saida prematura do Jota, depois de duas entradas duríssimas do defesa Dto improvisado do SCP (Bastos), escolhido propositadamente para o efeito (marcar o Jota e castigá-lo), sem que fosse expulso.
O Vitória perdeu por 3-2, e o Tomé marcou pelo Sporting, o que lhe custou umas boas bocas nos dias seguintes.
No final do jogo, o Octávio, não se conteve e esperou pelo árbitro, para lhe chamar "Palhaço". Levou 3 jogos de castigo que foram cumpridos na época seguinte.

73-74 foi a tal época que atrás se falou de viragem.
A 1ª. volta terminou com o tal 3-2 na Luz (onde o Benfica não perdia há 19 anos) com o conhecido António Garrido, a fazer toda a espécie de batota, para tentar inverter a lógica do resultado. Os descontos para além dos 90 min. foram uma coisa extraordinária...
O Vitória estava em 1º., mas perdia o seu treinador, que era ao mesmo tempo selecionador nacional.
Saia Pedroto, entrava José Augusto, também Selecionador, mas das Esperanças.
O jogo com o Sporting em Alvalade arranca a 2ª. volta, mas o VFC perde imerecidamente por 2-1, apesar de grande exibição e com bolas à trave.
Os jogadores sentiram muito a saida do "Mestre" e muito embora os problemas com os prémios e ordenados fossem regularizados, o comportamento da equipa não mais foi o mesmo.
Foi como se ficassem orfãos de Pai e o trabalho desenvolvido até aí deixou de apresentar a qualidade desejada.

É fantástico ouvir ainda hoje os futebolistas desse tempo falar de Pedroto como o "SR. JOSÉ MARIA PEDROTO", o mesmo se passa, aliás, com o "SR. FERNANDO VAZ"!!!


Lá atrás falou-se de um celebre desafio jogado em Leeds, pois bem, nesse dia os jogadores quando olharam pelas janelas do Hotel, viram a Rua coberta de neve.
Ficaram preocupados. Pedroto ordenou que se fosse imediatamente à procura nas Lojas de Desporto das redondezas de toda a qualidade de pitons para serem testados antes do jogo.

Seguiram mais cedo para o Estádio e cada atleta levou pitons diferentes, para se testar quais os mais apropriados para o efeito.
Foram escolhidos uns que não eram permitidos por lei.
Pedroto, "macacão", resolveu arriscar, mandou instalar nas botas os mais adequados ao estado do relvado, mas deixou-os escondidos no interior dos cacifos.
Os outros, os que o regulamento previa ficaram ali bem à vista, prontos a serem calçados, para que o árbitro quando descesse ao balneário fazer a verificação fosse enganado.

O jogo começa e termina e tudo corre bem neste aspecto, mas os responsáveis e os próprios jogadores estiveram preocupados, nem mesmo um incidente com o Câmpora, os fez esquecer os pitons.
Esse incidente foi nada mais nada menos que um vermelho directo, ao brasileiro, aliás uruguaio.
Houve um Inglês que lhe cuspiu e ele responde com um soco tal, que lhe partiu os 3 dentes da frente Very Happy .
Grande Câmpora, o homem que cada vez que marcava um penalty, parece que ia para a cruz, pé canhão (esquerdo), sempre em força e por alto, sem hipótese para os GR.


A época de 1974-75 é o ponto de viragem negativa no Vitória.
As nacionalizações no País sucedem-se e muitas das Empresas Setubalenses entram nitidamente em recessão.
O Vitória recente-se muito disso.

O nosso clube foi porventura dos que melhor partido tirou da tal Lei dos Direitos de Opção.
Pois bem, esta lei dava efectivamente cobertura aos clubes para manterem os seus melhores atletas durante muitos anos.
Era tão simples, quanto isto, mesmo com o contrato terminado, o clube de origem, caso conseguisse assegurar 1/3 da importância oferecida a determinado jogador, pelo clube interessado, assegurava automaticamente o futebolista.

Os futebolistas aproveitando a Revolução criaram o seu Sindicato.
Um futebolista do Vitória (Octávio) fazia parte desta organização, tal como por exemplo Artur Jorge ou Toni.
(Aliás, Octávio, talvez por ser da zona de Setúbal, conhecida na época como cidade vermelha, tinha a fama de Comunista Smile)

Em 1975(??) nas vésperas de um jogo particular Portugal-URSS houve uma ameaça de greve por parte dos futebolistas, com a conivência do Selecionador Pedroto.
Devido a essas ameaças, o jogo acabou por ser adiado e pouco tempo depois essa tal Lei de Opção é extinta e os jogadores profissionais passam a ficar livres para decidir, por si só, o seu futuro após o fim dos contratos.


Ultima actualizacao: 27-11-2008 02:57

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